CIRCUITOMATOGROSSO
CUIABÁ, 6 A 12 DE DEZEMBRO DE 2012
POLÊMICA
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ELEIÇÃO IFMT
Abandono de campus é desafio
Em São Vicente, instalações completamente deterioradas impedem que alunos tenham uma formação profissional adequada.
Por Mayla Miranda e Darwin Júnior. Fotos: Pedro Alves e Divulgação
Neste dia 12 de dezembro acontece a primeira
eleição direta para reitor do Instituto Federal de Mato
Grosso, o IFMT, antiga Escola Técnica Federal. Três
candidatos disputam a vaga para gerir em torno de
R$200 milhões por ano. O novo reitor vai encontrar
alguns desafios pela frente, em que pese a cifra
milionária. Um deles será reestruturar o Campus São
Vicente, localizado na BR-364, Serra de São Vicente,
onde é oferecida formação técnica superior. Os
problemas incluem desde alimentação inadequada para
os alunos à deterioração de prédios e laboratórios.
Segundo acadêmicos que compõem o Diretório
Central de Estudantes (DCE)da unidade, os cerca de 360
alunos que vivem no campus mais os que frequentam as
aulas recebem apenas bolacha de água e sal com chá
no café da manhã, almoço e janta para estudarem em
período integral. Para eles a instituição, que já foi uma
grande referência em formação profissional, vem
sofrendo um sucateamento na última década por falta de
investimentos. “Nossos laboratórios não funcionam, não
temos sementes para fazer o plantio, vamos nos formar
sem ver uma plantadeira de perto funcionando, isso sem
falar que falta luz o tempo todo e não temos um gerador
para as salas, então ficamos sem aulas”, declarou um
dos estudantes do DCE que preferiu não se identificar
temendo algum tipo de represália.
Eles ainda alegam que não se sentem preparados
para o mercado de trabalho por conta da falta de
estrutura oferecida que, apesar de contar com
equipamentos caros e variados, não funcionam por
conta da falta de manutenção. “Temos o quadro docente
razoável, no entanto temos professores que muitas vezes
tentam dar as aulas e não conseguem. Eu sempre uso o
exemplo do curso de Agronomia. Nós estamos formando
uma turma agora a outra está saindo para estágio e não
temos uma plantadeira. Isso é inaceitável para o nosso
curso”.
Na busca da reeleição, Bispo
defende alinhamento de campi
Nomeado há quatro anos pelo presidenteLula como
reitor da IFMT, José Bispo Barbosa busca a reeleição com a
determinação de promover o alinhamento dos campi,
lutando para que as instituições recebam tratamento
igualitário. Entre seus grandes desafios estão estimular a
formação de mão de obra qualificada para atender os
arranjos produtivos de cada região-sede e ainda implantar
mais quatro campi ao nível do que a sociedade espera.
Apostando no trunfo de conhecer bem a realidade das
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unidades do IFMT, José Bispo tem três linhas básicas de
atuação: ensino, pesquisa e extensão – no sentido de
promover qualidade. Com esse conceito ele definiu seu
plano de gestão com seis propostas básicas. Entre elas,
estão: consolidar a direção colegiada democrática; instituir
forte programa de trabalho de diversidade na educação e
ampliar o programa de assistência estudantil, possibilitando a
todos os alunos que possam ter refeição gratuita em todos os
campi.
Também estão incluídas nas propostas de Bispo a
elevação do programa de pesquisa de pós-graduação para
que no final da gestão tenha pelo menos um curso de
mestrado em cada campus; ampliar o programa de extensão
da IFMT com a comunidade com o qual seja relacionado;
estabelecer mais programas de doutorado para até o final
da gestão ter mais de 90% dos docentes com mestrado e
doutorado e ao menos 50% como técnicos administrativos.
A instituição recebe anualmente recursos federais da
ordem de R$ 200 milhões, dos quais 70% são consumidos
pela folha de pagamento. Outros 30% são distribuídos para
as áreas física, laboratorial e de construção. A verba federal
para investimentos foi ampliada com maior estímulo para a
área tecnológica. De R$ 6 milhões, em 2005, esse valor
subiu para R$ 60 milhões.”Cada campus tem seu orçamento
aprovado anualmente. Pretendemos fazer distribuição igual
de recursos, professores e técnicos”, afirma o candidato à
reeleição, prometendo destinar R$ 9 milhões para melhorar
as condições do Campus São Vicente. “Hoje o panorama é
bem melhor por lá e creio que haverá uma melhora
significativa nos próximos meses”.
Ali Veggi quer autonomia para
os campi e gestão democrática
Defendendo a eleição de um reitor “ficha limpa” para
gerir a mais tradicional escola pública federal de Mato
Grosso, o professor Ali Veggi, candidato a reitor do Instituto
Federal de Mato Grosso (IFMT), elaborou seu plano de
trabalho focado em três eixos: Gestão Administrativa e
Organizacional, Gestão Pedagógica e Política de Gestão
de Pessoas. Por meio destes eixos ele pretende estabelecer a
autonomia dos campi, gestão participativa e democrática,
normatização da estrutura organizacional, construção
coletiva de um projeto político pedagógico e a valorização
dos servidores e estudantes.
“
O IFMT Para Todos tem como principal objetivo
mudar o perfil da gestão administrativa e pedagógica do
IFMT”, justifica o candidato que, ancorado nestes eixos
estruturantes, propõe efetivar a autonomia didática,
pedagógica e financeira de todos os campi, especialmente
dos que se encontram no interior do Estado. “Queremos
possibilitar a esses campi inovarem a partir de suas próprias
características, experiências e necessidades”.
O professor Ali conta que construiu o seu Programa de
Trabalho para o quadriênio 2013-2016 a partir das
sugestões da comunidade do IFMT. “São sugestões que
refletem anseios e expectativas de um IFMT para todos”,
acrescenta, observando que os três eixos estruturais,
permanentemente articulados e integrados, constituirão os
pilares das ações desenvolvidas no IFMT. “Isto para que se
cumpra a sua missão de produzir e difundir a ciência e a
tecnologia, em consonância com as concepções filosóficas,
ideológicas e culturais desta sociedade do novo milênio”.
Ali Veggi começou efetivamente sua campanha nesta
sexta-feira (30) com o slogan
IFMT para Todos, Mudança
com Segurança
.
Por conta do estatuto, o candidato terá
apenas 12 dias para divulgar sua proposta de trabalho
entre professores, administrativos e estudantes. “Conto com
minha folha de serviços prestados ao longo de décadas de
dedicação ao IFMT, trabalhamos com afinco na reitoria do
campus de Cuiabá e sinto que estou preparado para
assumir a reitoria da instituição em Mato Grosso com a
colaboração de todos”, completa o candidato.
Candidato à reitoria no IFMT, Ruy Oliveira pretende
introduzir ‘verdadeiramente’ o tripé da educação na
instituição. Para ele, a instituição anterior, chamada Cefet,
era focada somente no ensino e com a mudança passou a
realizar a extensão. “Queremos introduzir a pesquisa que é
um dos itens que formam os três pilares da educação.
Vamos atuar no sentido de criar infraestrutura para dar
condições para que essas atividades sejam desenvolvidas
aqui”, propõe Ruy.
Outras propostas do candidato são promover a
gestão de pessoas; capacitação para que os alunos
possam trabalhar nas novas frentes de trabalho;
treinamento específico em áreas para pesquisa e extensão;
treinamentos dos funcionários para trabalhar com suas
novas ações; equipar todos os campi de forma equânime
com infraestrutura e recursos humanos de forma plena.
Ruy afirma que decidiu se candidatar motivado por
sua história na instituição. “Participei de comissões do
MEC, no período que antecedeu a criação dos institutos.
Trabalhei no sentido de definir diretrizes para pesquisa e
pós-graduação nas unidades federais que estavam sendo
criadas. Com base nisso, sei que o IFMT não foi
concebido para funcionar como está hoje”.
O candidato ressalta que não há regulamentação
clara das atividades no IFMT. “Não há ações por parte do
atual reitor que deem condições para que o ensino e a
pesquisa sejam desenvolvidos na sua plenitude, como, por
exemplo, carga horária para os docentes. Não há
regulamentação disso. Entendo que isso não está
acontecendo a contento apesar de ser um dos itens de
missão do instituto”, destaca.
Na visão de Ruy de Oliveira, vários campi, a exemplo
da unidade de São Vicente, estão funcionando de forma
precária. “Muitos alunos reclamam de falta de recursos
humanos. Sei que existem estudantes que estão treinando
ao relento, ao sol, por falta de quadra coberta, apesar de
vir recursos para isso. E não há como justificar, afinal os
recursos são iguais para todos os institutos. Vejo que isso é
uma má gestão dos recursos”.
Ruy Oliveira defende melhor
distribuição de recursos
Unidade de formação superior do IFMT na Serra de São Vicente não oferece as mínimas condições de ensino e aprendizagem