CIRCUITOMATOGROSSO
CUIABÁ, 6 A 12 DE DEZEMBRO DE 2012
POLÊMICA
P
G
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Políticos paraenses não teriam interesse na conclusão da obra, por medo de divisão do estado.
Por Darwin Júnior. Fotos: Divulgação
BR-163
O Pará não quer a conclusão da obra’
Com suas obras
iniciadas há mais de
três décadas, a
rodovia BR-163,
preconizada como
redenção econômica
da região Centro-
Oeste, esbarra na
lentidão no trecho
paraense e ainda está
longe de seu término.
E também não vai
virar uma realidade
tão cedo, já que o
Pará está determinado
a barrar sua
conclusão, sob o
temor do
fortalecimento de
Santarém que luta
pela divisão do
Estado. Se houvesse
interesse, realmente a
rodovia já estaria
pronta há pelo menos
duas décadas.
A conclusão é do
ex-governador e hoje
deputado federal Júlio
Campos (DEM), que
iniciou a construção
da rodovia na década
de 1970 e diz ainda
estar lutando pelo
término da rodovia, há
mais de 30 anos. Na
visão do deputado, as
forças ocultas’ do
outro lado da divisa
têm atuado com todas
as armas para evitar o
progresso de Santarém
e “isso implica em
retardar ao máximo a
conclusão da
rodovia”.
Enquanto isso, o
escoamento da
produção norte de
Mato Grosso, que
poderia chegar ao
porto de Santarém
através da BR-163,
continua sendo feito
pela região Sul do
Nova previsão de conclusão
da BR-163: 2014
Já 100% concluída em
Mato Grosso, a BR-163
ainda tem um longo
caminho até sua conclusão,
no lado paraense. Apesar
de apenas 60% da obra ter
sido terminada, a previsão é
de que até 2014 seja
finalmente entregue. A via,
depois de concluída,
permitirá o escoamento,
através da Cuiabá-
Santarém, de pelo menos
50%
da safra da região
norte de Mato Grosso, o
que iria reduzir em até 34%
o valor do frete. Mais do
que isso: iria aliviar o
movimento e minimizar os
congestionamentos no
trecho mais crítico (Cuiabá-
Rondonópolis).
Ao divulgar a
informação, o Movimento
Pró-Logística adianta que
um terminal privado,
localizado em Miritituba, na
divisa do Pará com Mato
Grosso, deve ser entregue
em 2013 para escoamento
da segunda safra do milho.
Entre Guarantã do
Norte (MT) a Santarém (PA)
são 1.089 quilômetros da
via, dos quais, mais de 400
quilômetros ainda precisam
ser pavimentados. Realizado
pelo Movimento Pró-
Logística, no final de
novembro, o Estradeiro BR-
163
verificou o andamento
das obras na estrada.
De acordo com o
presidente do Movimento
Pró-Logística e daAprosoja-
Superintendente
do Dnit
fala em
modernização
No lado mato-
grossense, a obra está
concluída e avança
com a construção de
melhorias, como
travessias urbanas,
duplicação e
restauração de pontos
críticos. É o que afirma
o superintendente
regional do Dnit, Luiz
Antônio Garcia,
lembrando que “a
rodovia foi construída
na década de 1970
para durar uma
década e esse limite já
defasou. Isso requer
frequentes
restaurações da malha
viária”.
A preocupação
do superintendente
hoje é com a
qualidade do material
aplicado nas obras da
rodovia. Segundo ele,
o tráfego hoje é muito
superior à expectativa
inicial e exige uma
pavimentação robusta,
sob pena de
deterioração
prematura. Garcia
ainda defende a
modernização da
rodovia: “Vamos
reestruturar nossas
rodovias. Estamos no
caminho para a
execução de estradas
melhores e duradouras
no futuro”.
Risco de paralisação
ainda existe
MT, Carlos Fávaro, o novo
Estradeiro foi satisfatório.
Da divisa de Mato Grosso
até a Vila do Trinta (PA) os
trabalhos evoluíram
significativamente de maio
para cá. Das 60 pontes
necessárias no trecho,
apenas 49 estavam prontas
em maio e hoje restam
apenas três para serem
concluídas. Mas o maior
avanço é o trecho entre Vila
do Trinta até Rurópolisque
foi licitado e o maquinário
já está chegando para
iniciar asobras. Este trecho
era o que mais preocupava.
Por outro lado, o ponto
negativo foi encontrar o
trecho entre Rurópolis e
Santarém com pouco
andamento”. Segundo
Fávaro, o trecho de Vila do
Trinta e Rurópolis foi licitado
em novembro, após estar
parado desde 2009,
quando a empresa que
havia vencido a licitação
faliu.
Fávaro comenta que
até Miritituba as obras estão
65%
concluídas. “Até
Santarém, 60% estão
prontas. Tanto que diante
do que vimos acredita-se
que até Mirititubacerca de
15%
das obras devem ficar
para ser concluídas em
2014.
Tudo deverá ser
concluído daqui a dois
anos. Tivemos avanço”.
Durante o Estradeiro
naúltima semana de
novembro foram
constatados problemas em
trechos já concluídos.
Algumas empresas, mesmo
com chuvas, continuaram os
trabalhos e agora os
problemas estão surgindo.
Jáconversamos com o Dnit,
que está mostrando muito
empenho”.
Trabalhos foram retomados e nova
previsão do Dnit para entrega é 2014
Hoje, a estrada
ligando Cuiabá a
Santarém tem seus últimos
900
quilômetros em
péssimas condições. O
fato desestimula
produtores que sonham
em utilizar a via para a
exportação através do
porto paraense.
Plantadores e criadores se
queixam das dificuldades
de comercialização dos
produtos e intitulam a
rodovia de “rota do
descaso”. A promessa de
um corredor para
escoamento da produção
não foi cumprida.
Há algumas semanas,
o TCU detectou
irregularidades graves no
lado mato-grossense,
sendo uma obra de
abastecimento de água
em Alto Paraguai e uma
intervenção de
esgotamento sanitário em
Jauru que estariam com
problemas de sobrepreço.
O TCU pedirá o bloqueio
de recursos e a
paralisação dessas obras
até sua readequação. O
risco de paralisação das
obras ainda existe.
Isso é apenas
reincidência. Obras
executadas pelo Dnit em
Mato Grosso já sofreram
paralisação devido a
irregularidades, incluindo
uma série de
irregularidades nas obras
de duplicação do trecho
de aproximadamente 400
quilômetros entre
Rondonópolis, Cuiabá e
Posto Gil (BRs 364/163).
Foi detectado uso de
asfalto de péssima
qualidade, com vida útil
aquém do estimado (10
anos, no mínimo).
país, gerando maior
frete,
congestionamentos na
via, deterioração da
malha viária e muitas
vidas ceifadas, quase
diariamente, em
acidentes com
carretas.
Eu deixei a obra
praticamente pronta
no lado mato-
grossense em 1984.
Na época, esteve em
Mato Grosso o
presidente João
Figueiredo para a
inauguração do trecho
de 890 quilômetros
ligando Cuiabá até
Santa Helena, perto da
divisa. Para construir
esse trecho, foram
precisos apenas dois
anos. Vieram para cá
grandes empresas
como Camargo
Correa, Odebrecht,
Andrade Gutierrez e
ainda o 9º BEC que
participou da
pavimentação entre
Cuiabá e Rosário
Oeste. Queríamos a
rodovia, fizemos a
rodovia”, lembrou Júlio
Campos, citando que o
financiamento para a
obra foi captado junto
ao BID em seu
governo, entre 1983 e
1986.
Segundo Júlio
Campos, a obra
deslanchou em Mato
Grosso porque foi uma
prioridade. “Do nosso
lado, houve interesse.
Infelizmente, não é o que
ocorreu no Estado
vizinho. Nunca houve
vontade de que
Santarém se tornasse um
polo de
desenvolvimento. O
governo do Pará não
quis e não quer isso. Eles
temem a explosão
econômica da região e
a divisão do Estado
devido à prosperidade
de Santarém. A criação
de um novo Estado não
interessa aos políticos de
Belém. Então, a obra
encravou e década após
década, os políticos vêm
segurando sua
conclusão. Fico triste
com isso, pois colocam
essa determinação
acima dos interesses do
país”.
Júlio Campos
defende união política
para a conclusão da
rodovia. “Se a Dilma
quiser, ela termina a
estrada. Lamento pelo
fato de não haver
prioridade e mais
interesse. Tenho feito a
minha parte, mas cadê
os outros para ajudar?
Se pegar o dinheiro que
é desviado e a verba
que é aplicada em
publicidade, o governo
federal termina suas
rodovias e ainda deixa
este país com uma
malha viária nova. É
uma questão de
vontade”.
Muitos trechos ainda estão sem pavimentação e dificultam o escoamento da produção
Para Júlio Campos, falta vontade política
e conclusão da BR-163 ainda é uma incógnita