CIRCUITOMATOGROSSO
CUIABÁ, 6 A 12 DE DEZEMBRO DE 2012
CULTURA EM CIRCUITO
PG 6
Anna é doutora em
História, etnógrafa e filatelista.
TERRA BRASILIS
Por Anna Maria Ribeiro Costa
A PÉROLA NEGRA DO CERRADO
E SE O MUNDO ACABAR???
MELHOR REMÉDIO
Por José Augusto Filho
José Augusto é diretor de
teatro e produtor de programas de
variedades
Nas sociedades indígenas, junto às
atividades de subsistência como
agricultura, caça, pesca, coleta de frutos
e insetos, as horas do dia são
preenchidas também pela força do
trabalho artesanal. No frescor da manhã,
o pátio à frente da casa pode servir para
a execução das atividades, quando
aproveitam a sombra projetada por ela.
Homens e mulheres manuseiam com
habilidade utensílios de corte, alisamento
e perfuração. Entre o povo Nambiquara,
localizado em terras a oeste de Mato
Grosso, homens trançam os cestos-
cargueiros (os do Cerrado e da Serra do
Norte, pois, no Vale do Guaporé, essa
atividade está sob a responsabilidade das
mulheres) e fabricam suas armas,
armadilhas e enfeites corporais. As
mulheres preparam alimentos e
confeccionam colares de contas de tucum.
Alguns artefatos caracterizam-se por
ser de uso individual como, por exemplo,
o colar de contas de tucum, a pérola
negra do cerrado. O Nambiquara
demonstra muito apreço por esse artefato.
O trabalho divide-se em diversas fases e
pode, a depender do tamanho das
contas e do número de voltas, durar
alguns meses. Ele se inicia com a coleta:
por vários dias, as mulheres,
acompanhadas por seus filhos, até
mesmo os de colo, caminham em busca
dos cocos. Depois, passam a quebrá-los
em muitos e muitos pedacinhos para, na
próxima etapa, perfurá-los, um a um,
centenas deles, e atravessar um cordão
das fibras da palmeira do tucum. As
habilidosas artesãs responsabilizam-se em
presentear seus maridos e filhos e, nesses
casos, passam a ter uma valoração
diferenciada, repleta de sentimentalismo.
Os índios creem que os colares de
contas pretas são também utilizados pelos
espíritos ancestrais que apreciam, em
especial, coisas belas, gentes belas,
gentes enfeitadas. Ser bonito extrapola as
qualidades físicas de uma pessoa,
principalmente porque consiste em um
importante mecanismo para afugentar
infortúnios, malefícios e doenças.
E aí, gente, já estão prontos pro fim do
mundo??? Não é nome de festa, não é um
local, nem muito menos um filme; o fim do
mundo se aproxima. Sim, o mundo vai
acabar um dia, é claro, não precisa ser
agora em 2012. Mas como tudo na vida tem
começo, meio e fim, um dia tudo acaba. E,
se nenhum grande asteroide nos atingir antes,
ou se não acabarmos nós mesmos com o
planeta em guerras nucleares, em alguns
bilhões de anos o Sol vai esfriar e morrer –
junto com a vida na terra.
Mas tem gente levando muito a sério
essa história de fim do mundo. O australiano
Robert Bast, de 46 anos, por exemplo, tem
tanta certeza de que o Apocalipse se
aproxima que gastou US$ 350 mil se
preparando para ele.
Morador da cidade de Melbourne,
casado e com três filhos, ele hipotecou sua
casa para comprar os itens que considera
essenciais no caso de uma tragédia – como
um bunker em local elevado, carro, estoque
de comida e suprimentos. Segundo
reportagem da
CNN Money
,
Bast trabalha
com marketing online de dia e, de noite,
gerencia a comunidade
Survive2012.com
ou, sobreviva a 2012. Segundo ele, o fim do
mundo pode acontecer a qualquer momento,
e ele tem certeza de que, durante o tempo
que viver, algum desastre acontecerá: o sol
destruirá nosso fornecimento de energia, uma
pandemia de gripe matará milhões, um
asteroide colidirá com a Terra ou haverá uma
inversão dos polos magnéticos do planeta.
Entre seus gastos estão um terreno com
uma casa e um bunker a 75 minutos de
Melbourne (US$330 mil), comida e água
para estocagem (US$5 mil), equipamentos
como panelas, geradores, baterias,
purificadores de água e painéis solares
(
US$11 mil) e um carro para ir de sua casa
na cidade até o abrigo (US$10 mil).
Já o chinês Lu Zhenhai, de Urumqi, na
região autônoma de Xinjiang Uyghur, decidiu
construir uma “arca de Noé” para esperar o
fim do mundo”. Zhenhai afirma que ficou
com medo de que sua casa acabasse
submergida e decidiu construir a
embarcação. As informações são da
agência
AFP
e do site
Huffington Post
.
O chinês investiu todo seu dinheiro,
cerca
de US$ 160.500
,
na arca que deve
chegar a 80 t quando ficar pronta. “Eu tenho
medo de que o fim do mundo ocorra em
2012.
Enchentes vão destruir minha casa.
Então investi todas minhas economias na
construção desse barco”, diz Zhenhai.
Eu esperei o mundo acabar duas vezes:
na virada do século e no dia que o filme “O
exterminador do futuro II” (29 de agosto de
1997)
dizia que iria acabar. Mas não
acabou! Cansei de previsão de fim do
mundo. De verdade!
Será que haverá uma “hasta la vista,
baby” em 2012? Eu acho que não, então...
se o mundo não acabar, postamos no
Facebook em 22 de dezembro de 2012. Já
tenho até o título: “O dia depois do fim”.