CIRCUITOMATOGROSSO
CUIABÁ, 6 A 12 DE DEZEMBRO DE 2012
CIDADES
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G
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ENERGIA
Principais reclamações dizem respeito a valores abusivos da
conta de energia e constantes cortes no fornecimento.
Por Sandra Carvalho. Fotos Pedro Alves
Reclamações
referentes a energia
elétrica lideram o ranking
de reclamações relativas a
serviços essenciais no
Procon de Mato Grosso.
Somente este ano já foram
registradas, de 1º de
janeiro a 30 de novembro
de 2012, 4.397 nesse
setor, das quais 1.338
contra a Cemat. Os
principais problemas
relatados pelos
consumidores se referem a
cobranças indevidas ou
abusivas e também a
quedas de energia, cada
vez mais frequentes.
O comerciante Paulo
Salem diz que a região
central de Cuiabá é uma
das que mais sofrem com
os piques de energia.
“
Hoje pela manhã foram
dois”, relata, referindo-se
a sexta (23), por volta das
8
h30. As quedas de
energia prejudicam as
consultas ao SPC/Serasa,
os pagamentos com
cartões de débito e
Sobre os
chamados valores
abusivos das tarifas,
o interventor
Jaconias Aguiar
explica que houve o
reajuste em 2012
de 9,43% e que,
devido ao fator
clima, as pessoas
acabam
consumindo mais e
a conta vem mais
alta. “Não tivemos
o reajuste na tarifa
em abril em função
da Rede Cemat, na
oportunidade, não
estar recolhendo os
encargos da
empresa com
encargos federais, e
por isso a elevação
tarifária ficou
suspensa. Além
disso, neste
período, tivemos a
redução tarifária
que foi registrada
durante cinco
meses. Mas,
quando ocorre a
diminuição na
conta, acabamos
não percebendo e
isso é natural”,
explicou.
Cemat diz
que aumento
é culpa
do calor
Comerciante faz desabafo público contra Cemat
A jornalista e
comerciante Janã
Pinheiro usou a
internet para relatar o
drama que viveu
após um temporal
que caiu sobre
Cuiabá e
comprometeu o
fornecimento de
energia. Proprietária
de uma sorveteria,
teve que aguardar 8
horas pelo
restabelecimento do
serviço. Resultado:
estresse, prejuízos e
revolta. Confira
trecho do relato.
Nesta terça-feira
(16/10)
mais uma
vez os comerciantes
(
ou pelo menos parte
deles) da Avenida
das Palmeiras, no
bairro Jardim
Imperial, em Cuiabá,
ficaram sem energia
elétrica após
temporal. Só depois
de 8 horas é que o
fornecimento foi
restabelecido e os
comerciantes
puderam contabilizar
os prejuízos.
Além de a loja
não atender
absolutamente
nenhum cliente,
somam-se aos
prejuízos os produtos que
descongelaram e tiveram
que ser descartados.
Quem paga por isso? A
chuva? O vento? “São
Pedro”? Não. Quem paga
por isso é o proprietário,
que não tem a quem
recorrer. Diz o Código
Civil: “um caso fortuito ou
de força maior”. Não
concordo até mesmo
porque ficar sem energia
no bairro já virou rotina,
mesmo em plena seca,
com um sol de 40 graus.
No dia 28 de junho,
após fazer um conserto na
rede elétrica da Avenida
das Palmeiras, um
funcionário da Cemat
deixou a energia apenas
em uma fase. Resultado:
depois de absurdas seis
horas o problema foi
detectado e a fase
retornou ao normal. Mais
prejuízos. Um mês antes
outro conserto na rede
inverteu as fases da
energia elétrica. Na hora
da produção o problema
apareceu, já que a
picoleteira deu um revés no
motor e toda a produção
foi para o lixo. E vai
prejuízo.
No dia 1º de
setembro a energia faltou
novamente em pleno
sábado, em horário de
maior movimento. Para
não perdermos tudo
tivemos que outra vez
baixar as portas e ir para
casa, pedindo a Deus
para a energia voltar e
tudo não se transformar
em leite. Detalhe, não
choveu, não houve
temporal e a temperatura
estava nas alturas. No dia
13
de outubro, por volta
das 13 horas, o
fornecimento foi
interrompido e mais uma
vez tivemos que fechar a
sorveteria. Em meio ao
caos de terça-feira
ligávamos desesperados
para obter informações de
quando o fornecimento
seria retomado, e tudo que
se ouvia do outro lado da
linha era uma pavorosa
gravação: “Neste
momento a linha está
ocupada, ligue mais
tarde”. Isso é um absurdo,
uma falta de respeito com
o consumidor!
Detalhe: a conta de
energia chega
rigorosamente todos os
meses e, se não for paga,
a energia é cortada, sem
dó nem piedade.
No meio disso tudo
recordo-me de quando
criança, no interior do
Estado, quando a energia
elétrica era fornecida por
um velho e barulhento
gerador, que cheirava a
óleo diesel. Era obsoleto,
bastante ultrapassado, mas
era só estar abastecido
que ele trabalhava dia e
noite. Pensando nisso,
acho que a saída seja
comprar um gerador, um
bom e velho gerador. A
fatura da compra deste
bem que agora já
considero indispensável
acho justo mandar para a
Rede Cemat pagar, assim
estaremos “quites”.
crédito, provocam a
demora na conclusão das
vendas e ainda deixam o
ambiente muito quente.
“
Ainda há casos de
danos a equipamentos”,
conta Paulo Salem, que é
presidente da Associação
dos Comerciantes do
Centro Histórico de
Cuiabá. “Se o pique
ocorre quando estamos
fazendo consulta ao SPC,
quando a energia volta e
religamos o computador
por muitas vezes o sistema
demora muito para voltar
ao normal”, acrescenta
observando que neste
caso a demora acaba
irritando o cliente.
Muitos empresários
também reclamam de não
serem comunicados de
eventuais cortes de
energia apesar de
pertencerem ao grupo
Cliente Classe A. E mesmo
solicitando religação de
urgência, cuja taxa
mínima para este setor
fica em torno de R$ 150,
há casos em que a equipe
só chega ao local para
restabelecer a energia dez
horas depois e não
quatro, como prometido.
A “falta de gentileza” de
alguns funcionários da
Cemat também intriga
consumidores, que
acabam ficando reféns, à
mercê da boa vontade da
empresa fornecedora de
energia.
“
Não são nenhuma
novidade as reclamações,
até mesmo pelo fato de
atendermos mais de 1,1
milhão de unidades
consumidoras”, rebate a
superintendente comercial
das Cemat, Soenil
Benedita de Paula,
informando que a Cemat
chega a registrar num
único mês em torno de 4
mil queixas e que esse
número chega a aumentar
até 80% nos meses de
calor.
De acordo com o
gerente de fiscalização da
Superintendência de
Defesa do Consumidor,
Ivo Vinicius Firmo, é
aconselhável tentar
resolver o problema com
a empresa, mas caso
nenhuma providência seja
tomada o consumidor tem
como alternativa registrar
a queixa junto ao Procon,
com sede na Avenida
Historiador Rubens de
Mendonça (Avenida do
CPA). O órgão registrou
mais de 7 mil processos
no geral somente no
primeiro semestre.
FAL TAM
INVEST IMENTOS
As constantes quedas
Cemat lidera reclamações
no Procon de MT
de energia já seriam
resultado da falta de
investimentos no setor,
de acordo com o
interventor da Agência
Nacional de Energia
Elétrica (Aneel) nas
Centrais Elétricas Mato-
grossenses (Cemat),
Jaconias Aguiar. “As
quedas de energia são
fruto da situação
peculiar por que a Rede
passa. Nós estamos com
atraso na nossa
programação de
investimentos e isso pode
acarretar eventuais faltas
na rede ou variação de
tensão”. Mesmo com
investimentos
inadequados, o
interventor disse que dos
desligamentos que
ocorreram em Cuiabá,
por exemplo, três dos
grandes, foram
decorrentes de
problemas na rede
básica que nada tem a
ver com a Rede Cemat.
Alto índice de reclamações revela grau de insatisfação da clientela em MT
Paulo Salem relata drama dos comerciantes
Sem energia, não há como fazer compras com cartão
Sorveteria registrou prejuízos
consecutivos por conta de apagões