ENOCK CAVALCANTI
M√°rio Hashimoto
Meus amigos, meus inimigos: Cuiabá é uma cidade miscigenada, onde um mulato como eu me sinto em casa. Ainda mais quando esbarro com tantos albinos, árabes, turcos, franceses, argentinos, russos, zulus, que multiplicam os saberes desta terra, em uma doce harmonia ensolarada. A família de Ademar Adams tem um pé na Alemanha. Gisele Oleiniczak, a mãe do ano, veio lá da Polônia. O ‘seo’ Jean van Haute saiu um dia da Bélgica para vir nos dar lições de logística. Meu personagem de hoje se chama Mário Hashimoto que tem as feições e o jeito tranquilo que vem lá do Japão, terra do cineasta Akira Kurosawa e da Ângela Watanabe, minha dentista tão quietinha e zelosa. Volta e meia, cruzo com Hashimoto nas ruas, eu apressado no meu Gol, ele a calcorrear, na permanente batalha de sustentação da revista Sina. Mário é um sonhador, um utópico. A Sina está comemorando seu 3º ano de circulação – e ela só existe porque existe a garra do Hashimoto e essa sua disposição de retratar e defender as grandes minorias, nesse mundo em que as pequenas, mas poderosas minorias endinheiradas hegemonizaram os negócios, a cultura, a política. Outro dia, Hashimoto explicou sua revista: “Sina tenta resgatar o jornalismo romântico de décadas passadas”. Resgatar, por quê? O romantismo não morrerá, enquanto pessoas como o Mário caminharem por este mundo. Vejo-o caminhando sob o sol torturante de Cuiabá, sem uma sombrinha, sem um boné, cabelos brancos ao vento e lembro da abertura do “Kung Fu”, em que David Carradine retratava uma alma dilacerada entre dois mundos, o oriental e o ocidental. Eu, que já vi Hashimoto comandando A Gazeta, com serena competência, digo que a Sina é expressão da competência deste jornalista que, dispensado por aquela grande empresa, agora mostra sua grandeza numa revista que nos diz que o fraco é forte, que o homem é só um entre elementos que formam nosso planeta, que na harmonia do corpo, da mente e do espírito está o único caminho possível para a saúde física, psíquica e espiritual e, portanto, o único caminho para a felicidade. Minha alegria ao encontrar Mário Hashimoto é a alegria de quem encontra um homem em paz consigo mesmo, um homem feliz.
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