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Caricatura-enock-cavalcanti Enock Cavalcanti


“Melhor Murilo dormindo do que Julinho metendo a mão”

*** Meus amigos, meus inimigos: o comando da campanha de Júlio Campos, em Várzea Grande, anda assustado com o súbito crescimento, nos últimos dias, da candidatura à reeleição do prefeito Murilo Domingos. Pesquisa do Gazeta Dados revelou Julinho pau a pau com Murilo, do outro lado do rio. Quem pensava que a família Campos fosse dar um passeio, ao apresentar como candidato seu líder mais carismático, agora começa a ficar tenso. Além da resistência de bolsões éticos – que adotam o “nenhum, nem outro” - a grana que a Turma da Botina está investindo em Murilo é qualquer coisa de fenomenal.  Em VG, a disputa virou guerra de guerrilha, com baixarias sendo disparadas de lado a lado, a  todo  momento. Um graduado auxiliar dos Campos, apelando pelo anonimato, me relatava que está repercutindo fortemente na população, o slogan lançado, certamente, pelos correligionários do atual prefeito que é uma provocação exemplar: “Melhor Murilo dormindo do que Julinho metendo a mão”.  A frase é repetida nas esquinas, nos becos e parece que tá virando uma onda. A oportuna sacada, somada aos pesados investimentos que os  botinudos  têm feito na Cidade Industrial, pode fazer com que a disputa entre Murilo e Julinho se decida apenas na reta de chegada.
*** Um dado lastimável é que, não apenas em Várzea Grande, mas por todo o Estado, a impressão é que a grana, mais do que nunca, é que vai falar mais alto nesta campanha, por mais que o Ministério Público tenha procurado impor limites no abuso do poder econômico. É que o processo de busca por vantagens, durante o processo eleitoral, já estaria tão entranhado nas práticas de nosso povo, que a maioria só estaria decidindo seu voto a partir do acerto do aluguel de um carro, de um terreno, da contratação como cabo eleitoral, da garantia de  mil favores que pingam da máquina que os caciques políticos dominam. Por grana, entenda-se os investimentos necessários para fazer com que Sachetti vire o jogo contra Zé do Pátio em Rondonópolis; Mauro Mendes se viabilize como segunda força contra Wilson Santos em Cuiabá; a família Henry sufoque o crescimento de Túlio Fontes, em Cáceres.
*** Sempre que me falam deste cenário político dominado pelo dinheiro, costumo bater na tecla de que há um voto ético que terá sempre seu espaço nas urnas, a demonstrar que uma enorme parcela de nossa população não se vende, nem se prostitui como desejariam certos caciques da política. Para ficar só em Cuiabá, lembro que corrupção eleitoral sempre houve e, no entanto, o voto ético teve força para eleger, no passado, o padre Pombo (que acabou não levando); a professora Serys que foi deputada por três vezes e, depois, consagrada como senadora; Wanderlei Pignati, o mais esquerdista dos vereadores que já tivemos; e Valtenir Pereira, que surpreendeu com seus seis mil votos, na sua eleição para vereador. Apesar da derrama que sempre cerca as eleições, o voto ético resiste, sobrevive e, em Cuiabá, ele se volta, nesta disputa de 2008,  por uma questão de coeficiente eleitoral, para quatro nomes emblemáticos: Enelinda Scala,  Lúdio Cabral, Helena Bortolo e Gibran Lachowski. Quatro candidatos que traduzem, nesta eleição, a verdade de que sem ética não existe humanidade.
 


 

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