Cristóvão Moraes
Vagas para vereador e prefeito
O jingle do candidato fala em mudanças e nem sequer se deram ao trabalho de compor uma nova melodia para anunciar o “novo”. É que a mesma musiquinha que ajudou a eleger e reeleger Maggi governador, vai tentando vender Mauro Mendes prefeito. Uma forma de tentar atrelar o suposto sucesso de Maggi a Mauro. É bem provável que os bons ventos na economia rendam créditos indevidos a muitos administradores públicos, que poderiam ter feito muito mais pelos seus Estados e Municípios nesse tempo de fartura e, por aqui, com a desarvorada cobrança de impostos. Muito cuidado também para não nos utilizarmos de dois pesos e duas medidas. A administração Wilson Santos – aparentemente - marcou um diferencial em relação às administrações anteriores. Wilson teve a força do crescimento econômico a seu favor e de programas como o PAC, mas como ele mesmo gosta de destacar, soube compor com as forças políticas para trazer os benefícios para a cidade e o que é muito importante, cumprindo promessas de campanha. Se poderia ter feito muito mais é também uma questão a ser avaliada. Não parece ser o caso de uma abelha instalada no ouvido, nem o sapateador compulsivo, nem o chorão do celular, todos muito engraçadinhos, nas veiculações da Justiça Eleitoral, na tentativa de fazer com que o povo cumpra o seu dever de votar com consciência. Como se isso fosse mesmo possível. Pode-se obrigar o povo a votar. Não se pode, contudo, obrigar o povo a votar certo. Mas se o povo tem o governo que merece, não há que discutir se votou certo ou errado.
Outro objetivo da Justiça Eleitoral parece um esforço para tapar o sol com peneira. Evitar a compra e venda do voto. Mas a compra de voto, mediante o uso de dinheiro (vale gasolina, camiseta, boné, um jogo de camisa para o time de pelada, a chance de ganhar uns trocados empunhando a bandeira do candidato, uma passagem para o nordeste, um óculos, uma cesta básica, o dinheiro vivo às vésperas da eleição...) é apenas uma forma. Compra-se o voto do povo com promessas falsas: o candidato promete visita domiciliar do médico na casa do eleitor, um outro promete doar o salário de vereador, já outro promete revolucionar a cidade com o turismo, o outro promete voz e vez aos jovens, de olho no potencial de meninos e meninas ansiosos para inaugurar o título.
Boa parte dos candidatos a vereador, o que parece querer mesmo é um emprego público que dispensa concurso. Pouco ou nada qualificados e sem disposição para enfrentar os rigores de uma seleção para as concorridas vagas no serviço público, investem tempo e energia, trabalhando para o partido, alavancando outras candidaturas e sonhando com a possibilidade de se tornarem, enfim, importantes membros da sociedade. Poderosos, intocáveis como Gilmar Mendes, cuja vida não é um livro aberto. Acima de qualquer suspeita, as autoridades, apesar de tantas provas, indícios e evidências de juízes corruptos, deputados, senadores, governadores, vereadores, secretários... Os intocáveis? O mocinho era um tal Protógenes, o bandido, um tal Daniel Dantas. Se Daniel era o bandido, Gilmar seria, no mínimo, suspeito. Não. Gilmar é vítima de grampo ilegal, que grampo só é legal contra o resto do povo. Algemas só para os desdentados ladrões de galinha que Lino Rossi mandava botar na cadeia. Quatro anos? Quatro anos é quase nada, se comparado ao tempo que ainda leva para essa fruta amadurecer. Se é que vai, um dia.
Mais zona livre:
- Edição 220 - 20/11/2008 a 27/11/2008
- Edição 219 - 14/11/2008 a 20/11/2008
- Edição 218 - 07/11/2008 a 13/11/2008
- Edição 217 - 31/10/2008 a 06/11/2008
- Edição 216 - 24/10/2008 a 31/10/2008

