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Sobram histórias e disposição

Adriana Nascimento

O ex-prefeito de Várzea Grande, ex-governador e ex-deputado federal, diz que não desiste fácil da política e segue até quando aguentar, pois, disposição,  tem de sobra

Mais um pleito se aproxima e o nome de Júlio Campos (DEM) ressurge entre os que tentam um cargo público. Em sua trajetória política ele coleciona cargos e derrotas substanciais. Tornou-se prefeito de Várzea Grande entre 1973 e 1977. Durante a prefeitura, destaca a solicitação ao Governo Federal do segundo canal de televisão em Cuiabá, que até então só tinha a TV Centro América. Em 1979, a emissora foi irnaugurada com o nome de TV Brasil Oeste, já no governo de Frederico Campos, que apesar do sobrenome não possui qualquer relação de parentesco com Júlio. Em 1979, foi eleito deputado federal. Em 1982, renunciou ao mandato para concorrer eleição direta ao governador do Mato Grosso, permanecendo até 1987, e, entre os destaques de seu governo há uma passagem não muito agradável, quando fez uma “banana” com o braço em gesto direcionado ao funcionalismo público que reivindicava pagamento de salários. Apesar disso, em 1987 voltou a ser eleito deputado federal. Em 1991, elegeu-se senador. Durante a passagem pelo Senado, conseguiu entre 1995 e 1996, ter retransmissoras da TV Brasil Oeste. Esse ato foi visto como uso político contra partidários do governador Dante de Oliveira, o que gerou polêmica. Em 1998, tentou a reeleição no Senado do Brasil, mas foi derrotado. Não satisfeito, voltou a tentar uma eleição em 2008 para prefeito de Várzea Grande, mas foi derrotado pelo então prefeito e candidato à reeleição Murilo Domingos (PR).

Circuito Mato Grosso - O que levou o senhor a voltar a ser político?
Júlio Campos – Acredito que um político nunca deixa de ser político independente da idade e do tempo. Permaneci 35 anos no serviço público, isto é, 37 anos porque no fim de 2007  aposentei-me como conselheiro do Tribunal de Contas .Fiquei afastado por mais de sete anos da vida pública mato-grossense, após a última eleição que disputei  - a de governador - quando perdi para o governador Dante de Oliveira (PSDB) num pleito bastante disputado e dramático. Isso proporcionou que eu fosse reconhecido pela Assembleia Legislativa e tivesse a oportunidade de compor o Tribunal de Contas onde permaneci até 2007. Depois disso fui convidado a disputar a prefeitura de Várzea Grande e aceitei porque entendi que podia fazer algo de melhor para aquela cidade por ter um bom trânsito em Brasília e pelo entusiasmo com a vida pública. Infelizmente eu não fui feliz nas eleições de 2008 quando enfrentei a reeleição do prefeito em exercício Murilo Domingos e que tinha o apoio do então governador Blairo Maggi (PR) e também do governo federal, com o qual o PR era coligado com a força do presidente Lula. Isso tornou a disputa muito difícil, ainda assim, meu ânimo pela vida pública não arrefeceu. Isso porque a vida pública não é só composta de vitórias, também é de derrotas, como o futebol. Mas o importante é que o ideal não esmoreça. O meu não esmoreceu. Tanto que agora fui chamado pelo meu partido para ser candidato a deputado federal e creio que vou conseguir fazer um grande trabalho por Mato Grosso como parlamentar. Até porque ainda tenho saúde, embora com 63 anos de idade, tenho ânimo para defender Mato Grosso e o Brasil.  

CMT - Que proposta irá defender na Câmara?
JC – Eu acredito que pela minha origem de homem ligado ao desenvolvimento social de Mato Grosso, uma das minhas propostas está ligada à Infraestrutura do Estado. Mato Grosso é extremamente viável em termos de produção da agropecuária e da agroindústria, mas tem um gargalo muito grande na infraestrutura para transportar essa grande produção. Ou seja, nossas estradas continuam ruins ou em estado razoável. Não temos a ferrovia que chegou só até a divisa de Mato Grosso com Mato Grosso do Sul, temos a de Alto Araguaia parada. Em oito anos do atual governo nem um centímetro sequer de ferrovia foi feito. Acredito que isso ocorra por falta de briga e de entusiasmo político de nossa bancada federal, dos nossos governantes e da má vontade do governo federal para com o povo de Mato Grosso, um estado que contribui muito para o PIB brasileiro. Se houvesse um político lutador como houve, no passado, o senador Vicente Vuolo, lutando pela ferrovia, com certeza o governo teria mais sensibilidade. Outra atitude seria cobrar também das empresas que ganharam a concessão da ferrovia, com medidas duras, porque elas fazem corpo mole. Hoje, o preço de escoamento pela Ferronorte é mais caro do que o de caminhão. Então, alguma coisa está errada. Também vou lutar pelo funcionamento das hidrovias e a conclusão da BR-163. No meu governo entre 1983 e 1987 conseguimos fazer numa rodovia federal 700 km. Será possível que, de lá para cá, o governo não conseguiu fazer mais nada em todo esse tempo não conseguiu concluir os 800 km restantes? Vou lutar também pela conclusão da BR-364 que sai da região de Novo Diamantino e segue até Sapezal fazendo a integração de todo o Noroeste de Mato Grosso. E também pela pavimentação de mais aeroportos em território mato-grossense e atuar na luta da Segurança Pública que é um problema hoje social do País. Defendo a proposta do candidato a presidente da República, José Serra, que quer a criação de uma força de segurança nacional para fechar nossas fronteiras para combater o tráfico de drogas. Mato Grosso é grande vítima disso com a fronteira seca com a Bolívia que, com isso, fez crescer os crimes no Brasil. Também junto a isso quero a melhoria do salário do policial com a aprovação da PEC 300 que institui um piso nacional. Tudo isso acompanhado de leis mais rigorosas no País porque o policial prende e as leis libertam o que desestimula o trabalho.

CMT - O senhor já foi ex-prefeito, ex-governador e ex-deputado federal. Que análise faz do que deixou de bom e o que ficou faltando em cada um desses cargos que exerceu?
JC – Tive um trabalho importantíssimo que foi a criação e aprovação da lei de proteção à testemunha que protege a família e a pessoa que denunciar um crime. Se eleito vou continuar atuando nesse sentido e também em favor da Educação. Assim como ocorreu na Coréia que usou a Educação para fortalecer o país, assim eu também acredito que é o ideal a fazer no Brasil que só será um país de primeiro mundo se investir com seriedade nesse setor. Quero ainda defender com unhas e dentes a melhoria do piso salarial para o professor do ensino público e pela criação de mais escolas profissionalizantes no País. E em Mato Grosso a ideia é expandir o número de universidades federais dentro do território. Para quem tem posses e passa para uma universidade federal ele deveria, assim como ocorre nos Estados Unidos, prestar, após formado, pelo menos dois anos de serviço público no interior onde não tem médico.

CMT - O que o fez apoiar o PSDB?
JC – Éramos rivais políticos até 1994. De lá para cá existe uma tradição de coligação em nível de Brasil com a eleição de Fernando Henrique Cardoso e com o vice do DEM (antigo PFL) sendo o senador Marco Maciel. Mantivemos a união em 1998 com a reeleição de FHC e Maciel. Em 2002 estivemos ao lado de José Serra (PSDB) para presidente, em 2006 apoiamos a candidatura de Geraldo Alckmin para presidente tendo como vice nosso companheiro por Pernambuco, José Jorge.

CMT – E por que o DEM sempre aparece como vice?
JC – Porque o DEM não se estruturou para ter um nome forte para concorrer à principal. Nas eleições de 2002 quando tínhamos o projeto preparado para disputar a candidatura própria tivemos dois problemas de infelicidade rara: primeiro a morte de Luiz Eduardo Magalhães que estava sendo preparado para ser presidente. Após a morte dele começamos a investir na candidatura da ex-governadora do Maranhão. Nossa querida companheira Roseana Sarney com aquele incidente do caso Lumbus no Maranhão e sua candidatura que estava em alta, seria a primeira mulher a governar o Brasil, infelizmente teve que ser deixada de lado. Agora o DEM está preparando jovens para uma plataforma própria nacional com o deputado Rodrigo Maia, que assumiu a presidência do partido. Também lutamos muito e conseguimos emplacar o vice de José Serra, que é o deputado federal Índio da Costa. Em Mato Grosso estamos começando a preparar a sucessão do partido, Um dos quadros novos que o DEM tem é o deputado estadual José Domingos, o também deputado Dilceu Dal Bosco, indicado para ser vice governador na chapa de Wilson Santos e temos outros nomes que, acredito, começaremos a lançar já nas eleições de 2012 e começar a fazer o desembarque dos papéis de vice passando para a liderança.

CMT - Quem é seu eleitor?
JC – É o eleitor consciente de Várzea Grande da faixa acima de 40 anos que conhece o meu governo e o meu trabalho. Agora, com este eleitorado jovem dos 16 até os 35 anos eu tenho trabalhado minhas ideias como um político moderno. Tenho meu orkut, tenho meu Facebook, meu Twitter, tenho tudo o que o jovem tem e faço pessoalmente não mando ninguém fazer por mim. Então tenho uma interatividade muito grande com esta faixa etária. Já tenho quase 2 mil amigos no Facebook, que aderiram espontaneamente. Então acredito que a minha candidatura é suprapartidária. Tanto é que muita gente que votou em Murilo, agora vota em Júlio Campos para deputado federal porque entende que não é possível que Várzea Grande não tenha um deputado federal.  
 

 

 

 

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