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Nanicos se prestam a vários papéis

Por Adriana Nascimento. Fotos: Divulgação e Marcelo Toledo

A menos de sete meses das eleições começa a se pôr em prática algo tão antigo quanto a história do Brasil: a negociação de legendas. Nesse quesito entram, alvoroçados em campo, os chamados partidos nanicos, caracterizados por pouca expressividade política, mas que, no frigir dos ovos, pode fazer diferença para dar peso a um ou a outro candidato nas coligações.

O analista político mato-grossense, Louremberg Alves, que também é professor de Ciências Políticas de duas universidades da Capital, explica que não se pode generalizar esses grupos. Há os nanicos, mas também os partidos medianos, esses podem até ser considerados nanicos na conjuntura nacional, mas têm expressividade maior em âmbito regional. É o caso do PR.

Dentre os nanicos surgidos no calor de cada eleição, é que se dão os “casamentos” e os “divórcios”, dependendo do anseio político de cada um e em cada pleito. Conforme Alves, o único momento em que a prática não ocorreu foi durante a Ditadura, quando só era permitido o processo eleitoral disputado por dois partidos.

Na conjuntura política, ele lembra que é preciso entender que os nanicos também se dividem entre os utilizados por um grupo político, para manipular o processo eleitoral em seu favor. No caso, eles são utilizados por partidos maiores como “pedras” para acertar os adversários deste. Foi o caso do PGT, em 2002, que teve como candidato a governador, Carlos Linguiça que, logo depois, aliou-se ao PPS do então candidato por aquele partido, Blairo Maggi.

Há também os que servem a causas, como é o caso do PSOL. Dissidente do PT, que começou a negociar para chegar onde queria, o PSOL foi criado para demonstrar a postura, que não se modifica, de fazer um governo sem mudanças de atitude. O PSOL, analisa o cientista, nunca entraria numa eleição para ser usado por outro. Neste exemplo Alves discorda da atuação deste partido porque, num jogo eleitoral, não se pode ser tão radical e longe da realidade em que o país vive.

Há ainda os que servem para fazer coligações para fazer “número” junto a um candidato. Esse mise en scène acontece, segundo o analista, porque “política é arte de pegar o eleitor pela emoção”. Em troca, os que sabem que não vão se eleger para os cargos majoritários, visam negociar cargos na Câmara Federal com os grandes e, dessa forma, ver crescer o Fundo Partidário, repassado pela Justiça Eleitoral, para subsidiar despesas dos partidos, dependendo do número de seus representantes da Câmara. Do conhecimento pela sociedade dessas atitudes, é que vem a afirmação de que os nanicos seriam utilizados como “trampolins” para que os candidatos pulassem para um partido maior ou existiriam só para desconstruir algum governo.

Mato Grosso não tem, conforme disse Alves, nenhum partido de protesto. Contudo, o PV, que tem expressão em grandes centros como o Rio de Janeiro, não tem ninguém eleito e aparece sempre em secretarias de governo. Não há nada na lei eleitoral que impeça essa prática. Há apenas a imoralidade da coisa, na opinião de Louremberg. Segundo ele, a antiga cláusula de barreira, que caiu, impedia essa prática quando analisava a pontuação e mantinha como partido o grupo que conseguisse 5% de representatividade entre 9 Estados. Se isso não acontecesse, corria o risco de desaparecer. A cláusula caiu porque houve o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de que a pontuação não dava liberdade para o surgimento de novos partidos.

Em tese, alerta o cientista, os partidos deveriam representar TODOS os segmentos da sociedade. Mas não é isso o que acontece. Os partidos têm surgido desde tempos imemoriais para atender a elites dominantes e o povo é apenas espectador passivo dessa farsa. Senão vejamos, o processo não é democrático uma vez que não é a sociedade que escolhe seus representantes e sim, escolhe dentre os apontados pelos partidos.

Cenário estadual
Atualmente Mato Grosso, de acordo com dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), tem 28 partidos políticos. Desse número, 12 são considerados pequenos e seis de tamanho mediano. E, seguindo a linha nacional, aqui também as definições de nomes ocorrem à revelia da vontade popular e da lei, que rege a divulgação apenas após as convenções entre maio e julho. Porém, antes disso, as coligações anunciam veladamente quem querem que pleiteie o poder para que o povo possa ir se ambientando.

Um exemplo disso e que Louremberg arrisca até a fazer uma análise, é o caso da proximidade DEM e PSDB que em Mato Grosso diz-se indefinida. Num cenário brasileiro que se desenha com a problemática entre PT e PSDB, José Serra, notório candidato do tucanato, quer uma “chapa pura” e quer Aécio Neves como seu vice para ajudar a combater a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, natural candidata do PT, que vem utilizando a máquina em propaganda extemporânea e que, portanto, tem crescido nas pesquisas. Nesse caso, ficaria acertado que o DEM nacional abriria mão da candidatura a presidente, mas que o PSDB se comprometa a apoiar o DEM nas majoritárias em alguns Estados. Nesse caso, Mato Grosso, com o senador Jayme Campos, seria um desses apoiados em detrimento da candidatura do prefeito de Cuiabá, Wilson Santos.

Nesse caso, avalia Louremberg, seria trabalhado o apoio do maior número de partidos possíveis e, com certeza, os pequenos teriam chance de apoiar um candidato que enfrenta a máquina do governo estadual, que estará nas mãos do vice-governador e           pré-candidato, Silval Barbosa. Os partidos considerados nanicos no Estado e que já começaram as rodadas de negociações são o PV, PSC, PMNB, PRP e o PRTB. Vale ao eleitor um conselho: anote quem anda com quem, para não votar nos que apresentam incongruências. Um desses casos lembrados pelo analista é o do Partido Verde (PV), que nas últimas eleições apoiou nada menos do que o candidato considerado antiecológico - Blairo Maggi.

 

 

 

 

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