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Cartel do fertilizante prejudica produção de MT

Bolívar Figueiredo

A Associação de Produtores de Soja do Estado de Mato Grosso - Aprosoja/MT realizou, recentemente, um painel de discussão sobre o tema Fertilizante. O presidente e o gerente técnico da associação, Glauber Silveira e Nery Ribas e o coordenador do Programa de Monitoramento e Adubação (PMA) da Fundação MT, Leandro Zancanaro, viajarão pelas quatro regiões do Estado com o objetivo de debater com produtores as alternativas para a próxima safra de soja, frente à questão dos fertilizantes que representam 48% dos gastos na produção.

Segundo dados, o custo operacional para a safra 2008/2009 de soja em Mato Grosso, já alcançou R$ 7,6 bilhões no mês de abril – o que representa 38% a mais que os R$ 5,5 bilhões registrados na safra 2007/2008. E as previsões são de que os gastos aumentem nos próximos meses, principalmente, devido ao alto preço dos fertilizantes.

No final do ano passado a exploração dos fertilizantes foi pauta da audiência entre a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso - Famato e o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Mapa, Reinhold Stephanes. A entidade solicitou, na oportunidade, a revisão da Lei de Concessão de Lavras para a exploração de fertilizantes. O Brasil importa 70% do fertilizante que consome e, em território nacional, 70% da exploração do produto, como potássio e fósforo, estão nas mãos da multinacional Bünge, por meio da Fosfertil. &ldquo .

Está comprovado que empresas ganham a concessão e não exploram as minas, ficando assim o produtor dependente do oligopólio. O fósforo e potássio  são importantes para a agricultura brasileira e, principalmente em Mato Grosso, cujo solo necessita de correção.

O próprio Ministro admite que a dependência dos fertilizantes deixa a agricultura vulnerável e altamente dependente das importações de fertilizantes. A agricultura brasileira importa 74% dos produtos usados.

Na Câmara dos Deputados, o ministro Stephanes disse que a solução para reduzir o custo dos produtores rurais e reverter o quadro de dependência das importações está nas mãos do Ministério de Minas e Energia. “A solução para agricultura não está mais nas mãos do Ministério da Agricultura, mas no de Minas e Energia. A Petrobrás e o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) podem desempenhar um grande papel para encontrarmos soluções a esse tema. Fica claro que nosso conhecimento em minerais, em pesquisa e tecnologia na área é muito pequeno. Temos muita coisa que precisa ser feita para conduzir às decisões corretas e soluções precisas”, observou o ministro.

O governo quer reverter a porcentagem de fertilizantes importados. Esta dependência é uma das responsáveis pelo aumento dos alimentos. Em reunião com seus ministros, o presidente Lula disse que a demanda por alimentos cresceu muito, mas que o Brasil tem condições de produzir 80% dos fertilizantes que consome.

Entrave

Os produtores do Estado afirmam que a safra 2008/2009 de soja está praticamente travada em Mato Grosso, em consequência da constante alta nos preços dos fertilizantes e as restrições ao crédito, sejam de origem financeira ou ambiental, provocam incertezas sem precedentes sobre o plantio da cultura no Estado, que é o maior produtor da oleaginosa no país.

O custo operacional para a safra 2008/2009 de soja em Mato Grosso já alcançou R$ 7,6 bilhões no mês de abril e representa 38% a mais que os R$ 5,5 bilhões registrados na safra 2007/2008. E as previsões são de que os gastos aumentem nos próximos meses, com a insistência das altas nos preços dos fertilizantes, que chegam a responder por 48% dos gastos deste ano ante os 38% verificados no ano passado.
“Pelo menos metade dos fertilizantes necessários para esta safra ainda não foram comprados pelos produtores e mesmo a quantidade adquirida gera incerteza. Não sabemos se os fornecedores irão segurar a entrega para tentar elevar o preço do volume”, afirma o diretor executivo da Aprosoja/MT, Ricardo Tomczyk.

Para a safra 2008/2009, em Mato Grosso, o custo médio do fertilizante por hectare já está em       R$ 630 contra R$ 363 na safra 2007/2008. O custo operacional para a safra deste ano, chegou a                  R$ 1.334,00 e no ano passado fechou em R$ 961. O custo operacional não inclui, por exemplo, as depreciações dos preços de máquinas, de terras e dívidas.

Os consecutivos aumentos nos preços dos fertilizantes provocaram um efeito dominó imediato sobre os índices inflacionários. A segunda prévia do IGP-M de abril fechou em 1,54, quatro vezes mais que o 0,37% verificados na segunda prévia de abril pressionado pelo aumento dos preços dos produtos no atacado.


Solução caseira
A Aprosoja, em parceria com a Associação dos Produtores de Algodão-Ampa iniciou, no final do mês de agosto, trabalho de prospecção de fósforo para detectar a existência do minério na região de Planalto da Serra - 256 quilômetros ao sul de Cuiabá, visando a exploração e produção de fertilizantes agrícolas.
Existe e a confirmação do minério em Paranatinga - 373 quilômetros de Cuiabá, também ao sul e na região de Manso, a 100 quilômetros da Capital. O levantamento faz parte do projeto “Pesquisa de Fósforo em Mato Grosso”, com investimento de R$ 6 milhões até março de 2009.
Se as jazidas confirmarem sua potencialidade de exploração, os produtores mato-grossenses esperam eliminar a parte negativa da produção, que são os altos custos dos fertilizantes, tornando assim o Estado auto-suficiente na produção deste adubo.
De acordo com o assessor de Ações Estratégicas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Ali Saab apóia a decisão dos produtores mato-grossenses, e ponderou que a conjuntura atual demonstra que o produtor está acuado, pois no cenário de mercado, ele fica suscetível às exigências e transações arquitetadas pelo oligopólio das empresas que atuam no setor de insumos e das empresas esmagadores e ‘tradings’. Por isso, Saab afirma que a saída real a médio e longo prazo é aumentar a concorrência.

Sugeriu ainda que as entidades implantem sua própria fábrica misturadora de fertilizantes, que pensem na parte logística e, de preferência, optem por implantar a indústria próxima da divisa com Santarém (PA), devido à proximidade com o porto. Além disso, sugere que a fábrica de fertilizantes seja instalada no Planalto da Serra e ainda que os investimentos em pesquisa e tecnologia sejam contínuos.

O coordenador do Núcleo de Integração para Exportação do Mapa, Daniel Ferraz, trouxe um panorama do contexto nacional e internacional que relacionou crescimento populacional, urbanização acelerada e demanda por alimentos.

Daniel Ferraz amarrou todos esses conceitos com a problemática do preço ascendente dos fertilizantes e, assim como Saab, sinalizou que para sair das amarras proporcionadas pelo modelo de fusão e aquisição de mercados por poucas empresas, a solução a médio e longo prazo é partir para o modelo de integração do setor produtivo, por meio de associações ou cooperativas. Ele sugeriu que as entidades adotem o modelo de Consórcios, de preferência adotem o modelo de ‘joint venture’ que é o mais vantajoso, já que existem mais de 200 tipos de consórcios.

Os preços dos fertilizantes tiveram forte alta nos últimos anos, comprometendo a margem de lucro e reduzindo a renda do produtor. De acordo com estudos da Agroconsult, nos últimos sete anos os fertilizantes tiveram alta acima de 380%, passando de US$ 90 a tonelada, na safra 2001/02, para US$ 433/tonelada na safra 2008/09.
Com a descoberta de fósforo em Mato Grosso, os produtores esperam reduzir, drasticamente, os custos de produção e manter o nível de tecnologia na lavoura. Atualmente, as principais lavouras estaduais, como soja, milho e algodão, geram uma demanda de 650 mil toneladas de fósforo, cuja tonelada é cotada em US$ 1 mil e poderá ter o volume reduzido para US$ 320.
Segundo a Aprosoja, somente com frete o custo do fósforo para o sojicultor pode chegar a US$ 160 por tonelada. O valor varia conforme a localização de cada região.
Lucro dos Cartéis
A escalada do preço do petróleo e a expansão do agronegócio estão elevando o lucro dos fabricantes de fertilizantes. As gigantes do setor Bünge e Fosfértil registraram lucros expressivos no primeiro semestre de 2008, em comparação com o mesmo período de 2007.
A Fosfértil, que detém a liderança no mercado brasileiro, teve lucro líquido de R$ 402,8 milhões no período, o que representa um crescimento de 127,44% em relação ao lucro de R$ 177,1 milhões registrado de janeiro a junho de 2007. A receita líquida da companhia nos seis primeiros meses deste ano totalizou R$ 1,563 bilhão, um aumento de 47,70%.
Os dados são preliminares e foram divulgados no mercado internacional, pois a empresa tem entre os acionistas, empresas como a Cargill e a própria Bünge. De acordo com informações preliminares, a companhia apresentou lucro bruto de R$ 667,6 milhões, ante R$ 315,8 milhões. O lucro operacional ficou em R$ 612,2 milhões, ante R$ 265,7 milhões registrados no primeiro semestre de 2007.
Já a multinacional Bünge, que além de fertilizantes atua no ramo de alimentos e processamento de sementes, anunciou ontem seus resultados globais em Chicago, nos Estados Unidos. O lucro da companhia mais que quadruplicou no segundo trimestre de 2008, impulsionado pelo resultado das operações de fertilizantes e agronegócios. Foram US$ 751 milhões no período. Os resultados levaram a empresa a rever sua previsão de lucro para 2008, que deve ficar em torno de US$ 11,60 e US$ 11,90 por ação. A receita subiu para US$ 14,4 bilhões de dólares, contrariando a previsão inicial do mercado, que esperava receita de US$ 13,20 bilhões.
A dependência dos insumos importados contribuiu para a elevação dos lucros das empresas - no ano passado, o Brasil importou 17 milhões de toneladas de fertilizantes, quase o dobro da produção local, de 9 milhões de toneladas. Até junho, as entregas de fertilizantes no País cresceram 22% em volume em relação ao mesmo período de 2007, chegando a 11,5 milhões de toneladas, segundo números da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). Segundo Eduardo Daher, diretor da entidade, parte desse aumento foi consequência da antecipação de compras por parte dos produtores de milho e soja.
O Brasil está entre os grandes produtores agrícolas mundiais e já começa a sentir os efeitos desse novo protecionismo com relação aos fertilizantes. A alta excepcional do preço desses insumos nos últimos meses já começa a ser vista como ameaça para a safra recorde de 142 milhões de toneladas de grãos prevista pelo governo.

Em reais, o preço dos fertilizantes subiu 73% em 12 meses até abril e mais de 40% só em 2008, de acordo com o Índice de Preços por Atacado (IPA), o principal componente do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), da Fundação Getúlio Vargas. Outros insumos agrícolas, como sementes e herbicidas, também subiram muito nos últimos meses. Mas a alta dos fertilizantes tende a ser mais sentida pelos produtores.

Em Sorriso, o município que mais produz soja no mundo, o fertilizante representou 57% do custo da última safra, na próxima representará mais de 60%. Os agricultores escolherão melhor as áreas de plantio para reduzir o emprego de adubo.


O que é oligópilio?
Na economia, oligópólio (do grego oligos, poucos + polens, vender) é uma forma evoluída de monopólio, no qual um grupo de empresas promove o domínio de determinada oferta de produtos e/ou serviços, como empresas de mineração, alumínio, aço, montadoras de veículos , cimentos, laboratórios farmacêuticos, aviação, comunicação e Bancos. O oligopólio  tem a maior participação no PIB em termos de Receita Operacional. Existem três formas básicas de oligopólio: Cartel,Truste e Holding Ainda na economia, oligopólio é uma situação em que um número pequeno de empresas dominam o mercado, sendo os produtos homogêneos ou diferenciados, com barreiras à entrada de novas empresas, sejam por altos custos de entrada ou proteção do setor público (licitações, por exemplo). Define-se pela interdependência de decisões de uma ou mais empresas em relação às restantes empresas ditas pertencentes ao oligopólio.
 


 

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