Marketeiros já começam a ser requisitados
VIVIANE PETROLI
Sai eleição, vem eleição. É sempre a mesma coisa: candidatos disputando, em alguns casos até a “tapa”, uma vaga para presidente, senador, governador, deputado federal, deputado estadual, prefeito, vereador e até mesmo presidente de bairro. Mas sozinhos estes não conseguem se eleger, pois além dos votos da população, precisam de uma boa equipe por trás para lhes dar apoio e ajudar na campanha.
As pessoas por trás dos candidatos geralmente são os partidos políticos, seus secretários, assessores e também agências que prestam consultoria que dão todo o suporte na eleição como a parte de marketing, ou seja, suporte da campanha na realização de propaganda eleitoral, santinhos, camisetas, bonés, outdoor, panfletos, comícios, adesividade entre outros.
Nas eleições para prefeito e vereador, em outubro deste ano, os candidatos, além de confirmarem a candidatura, já estão procurando e contratando profissionais para a realização de seu marketing político.
O atual prefeito de Cuiabá, Wilson Santos (PSDB), que estará se candidatando à reeleição, por exemplo, estará contando com a ajuda do ex-senador Antero Paes de Barros para fazer seu marketing político.
“Nestas eleições de 2008, para prefeito e vereador, darei consulta política e vou trabalhar com outras agências em Cuiabá na campanha do Wilson Santos”, declarou o ex-senador de Mato Grosso, Antero Paes de Barros, que recentemente criou a Antecipar Consultoria e
Comunicação Estratégica Ltda.
Já Júlio Valmórbida diz ainda não estar trabalhando com nenhum candidato a prefeito ou vereador na questão de marketing político.
Por outro lado, o consultor político Mauro Cid diz estar analisando as propostas que vem recebendo e que não trabalha com consultoria em Cuiabá e sim nos municípios da região norte de Mato Grosso. “Vários candidatos já me procuraram. Estou analisando os projetos. No momento estou trabalhando com o prefeito Gilberto Melo, de Chapada dos Guimarães”, diz Mauro Cid.
A KGM Comunicação Marketing e Pesquisas de acordo com o jornalista Kleber Lima, que é um dos donos da empresa, estará fazendo algumas campanhas em cidades importantes no Estado de Mato Grosso para prefeito. “Não revelo os candidatos, por enquanto, porque ainda estamos em fase de fechamento de contratos”, diz Kleber Lima.
Diferença de se fazer campanha hoje com relação às passadas
Segundo o assessor de comunicação do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso – TER/MT, Ronaldo Nadaf, não existe diferença alguma nestas eleições com relação às anteriores. “O que foi proibido nas eleições passadas para presidente, governador, senador, deputado federal e estadual, com relação a esta, não muda nada”, diz Ronaldo Nadaf.
Para as eleições realizadas em 2006 o Tribunal Superior Eleitoral – TSE – decidiu que a partir das eleições ocorridas naquele ano ficariam proibidas a distribuição de brindes como camisetas, bonés, canetas e chaveiros, assim como cestas básicas ou qualquer outro bem em troca de voto. Permaneceu também sendo proibida a realização de ‘showmícios’ e eventos que promoveriam os candidatos, além das propagandas eleitorais feitas em outdoor. Também permaneceram proibidos boca de urna, divulgação de pesquisa eleitoral 15 dias antes das eleições, propaganda eleitoral através de ‘telemarketing’ entre outras.
Ainda ficou decidido um limite de gasto de campanha para os cargos em disputa, os candidatos e as coligações deveriam prestar contas para a população, através de uma página na Internet criada pela Justiça eleitoral, assim como outras exigências.
“São boas as exigências e restrições impostas nas eleições. Espero que elas sejam cumpridas. Campanha eleitoral deve ser feita dentro da Lei”, comenta o ex-senador Antero Paes de Barros.
Para o consultor político Mauro Cid as restrições são as mesmas, mas ao contrário de Antero, diz que “as propagandas políticas deveriam ser liberadas, sem restrições”.
Assim como Mauro Cid, o jornalista Kleber Lima acredita que se a justiça eleitoral continuar estabelecendo estas restrições e regras, as campanhas daqui a pouco passarão a ser secretas e que os candidatos acabarão tendo que pedir votos “ao pé do ouvido do eleitor”.
“Acho que há exageros. Discordo dos que defendem a tese de que a eliminação de peças de campanha como outdoors, camisetas e ‘showmícios’ entre outros, combateram o poder econômico. Na última eleição, já com essa nova regra, o que vimos foi alguns candidatos utilizando os orçamentos destinados para essas peças, para a compra direta de votos. O poder econômico se manifesta mais fortemente é na compra de votos, não na comunicação da campanha. A estrutura mais cara de uma campanha é a televisão. O candidato que não possuir orçamento para fazer um bom programa de TV já sai meio derrotado. E isso continua. Então, penso que essas restrições foram enganadoras e beneficiaram quem realmente tem dinheiro e se utiliza da prática criminosa da compra de votos. Para este ano, até ‘banner’ em sites a Justiça proibiu. Mas manteve liberado anúncio de jornal até no dia da eleição. É uma contradição. Entretanto, essas restrições não podem limitar o marketing. Ao contrário, com essas restrições, o marketing acaba sendo ainda mais importante porque vão exigir alternativas de comunicação com a massa de eleitores, que possa suprir os recursos agora inexistentes”, diz Kleber Lima.
O que é Marketing Político
Segmento especifico da área de comunicação de mercado voltada para o ambiente político, que busca estreitar relações de um determinado grupo, com questões que envolvem o cotidiano e a consolidação do mesmo a um candidato a cargo público no período eleitoral. Marketing político são todos aqueles recursos que são utilizados na troca de benefícios entre os candidatos e os eleitores.
Estes benefícios, no caso candidato-eleitor, seriam as promessas que o candidato faz ao eleitor, linha de comunicação e as vantagens que o candidato oferece com relação aos outros candidatos. No caso eleitor-candidato os benefícios são os votos e as informações necessárias para consegui-los.
Compõe o quadro de planejamento em uma campanha de marketing político: o meio - ambiente onde é realizada a campanha eleitoral, a administração da campanha, o conceito do produto mostrado (filosofia política do candidato), meios de comunicação e distribuição, segmentos de eleitores, acompanhamento e revisão de resultados que sugere uma reorientação da campanha.
“O marketing político é considerado hoje um setor acadêmico, como “Ciência Eleitoral”,cujo maior representante é o Professor titular da UFRJ, Cid Pacheco. Marketing significa "ação de mercado". Aplicado à política ou à eleição, significa "ação de política" ou "ação de eleição". Penso que o marketing é o pai da estratégia política, modernamente e também desde sempre. Só que antes as pessoas não sabiam que, ao posicionar corretamente um candidato, estavam praticando marketing eleitoral. Posicionamento. Esta é a palavra-chave do marketing eleitoral e significa uma série de ações prévias, como um bom diagnóstico, boas pesquisas, capacidade de leitura política, assessoria de imprensa, publicidade entre outras ferramentas. De outro modo, posso dizer que o meu entendimento de posicionamento é escolher uma estratégia principal pela qual um candidato ou partido vai desenvolver uma campanha eleitoral”, explica Kleber Lima.
Mais:
- Edição 305 - 02/09/2010 a 08/09/2010
- Edição 304 - 26/08/2010 a 01/09/2010
- Edição 303 - 19/08/2010 a 25/08/2010
- Edição 302 - 12/08/2010 a 18/08/2010
- Edição 301 - 05/08/2010 a 11/08/2010

Enviar para um amigo
Imprimir