
A bruxa, o príncipe, o diabo e a gorda

O título acima é quase uma pegadinha quando se trata de avaliar a temporada de desfiles prêt-à-porter de Milão e Paris. Isto porque nem tudo é assim tão péssimo e tampouco bom que chegue a empolgar. O que é triste, porque fica uma sensação de vazio, como se absolutamente nada de relevante tivesse sido apresentado.
A manchete ficou em torno de duas editoras que foram criticadas, uma por um estilista e a outra por um país. O estilista da Balenciaga, Nicolas Ghesquierè, fez questão de não convidar a editora da Vogue France, Carine Roitfeld, por causa da demissão da stylist-amiga Marie-Amélie Sauvé, que também trabalha para a grife. Dessa forma, a bruxa Roitfled proibiu a publicação dos anúncios da grife, bem como as produções editoriais nas páginas da Vogue France – o que é uma pena. Os italianos saíram a campo contra a poderosa editrix da Vogue America, Anna Wintour (que inspirou o personagem principal do livro e do filme “O Diabo Veste Prada”), que pediu às principais marcas para concentrarem seus desfiles em três dias. A controvérsia não saiu das páginas dos jornais, houve um protesto organizado contra o diabo e até mesmo os taxistas da cidade a acusavam de tentar destruir a moda do país.
A grande surpresa foi a estreia do pequeno príncipe, Pedro Lourenço, em Paris em desfile fora do calendário oficial de Paris. Foi uma coleção basicamente em café com leite e peças em couro com recortes em forma de persianas. O brasileiro ganhou uma boa reação da crítica e da imprensa especializada - fato raro para estilistas desconhecidos. Fiquei impressionado com o trabalho forte e destemido do estilista, ele mostrou uma visão espantosamente pessoal, apesar de ter influências de Balenciaga e de Christopher Kane, of course.
Em quase todas as coleções, tanto de Milão quanto de Paris, a imagem feminina predominante foi a de uma mulher determinada, muito segura de si, interessada em ser sujeito do que objeto, de preferência, vestindo algum casaco ou acessório de pele – para o desespero da PETA. Na silhueta, as atenções se voltaram aos volumes exagerados, engordativos, em parte porque o mercado está em busca de uma imagem mais perto da realidade, como na abusada The Size Issue da V Magazine. No entanto, as marcas em geral, pareciam mais interessadas em afirmar a sua tradição e prestígio do que em refletir sobre a moda contemporânea e seus caminhos. Tudo era belo, mas sem a vibração da atualidade.
Mais Estilo:
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