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Carlos Reiners - Um pantaneiro centenário!

Tive que, muito tristemente, despedir-me do meu avô Carlos Reiners esta semana. Ele resolveu partir depois de 102 anos e, segundo ele mesmo, uma vida curta com muito ainda para se fazer.

Meu avô era um homem altivo – uma mistura de alemão com cuiabano, aliás, cuiabano ele era, e muito. Tinha um sotaque carregado, fala calma, mas era de um poder incrível.

Fiz várias viagens com Carlão/Carlinhos como era conhecido. Íamos para as fazendas Pouso Lindo, Laguna, Aricá em imagens que ficarão para sempre na minha memória. Vi o pantanal pelos olhos dele. Pela força dele. Todos os bichos e os inúmeros fins de tarde com aquele por do sol que só existe aqui no Mato Grosso – no coração do Pantanal, com aves sobrevoando – chegando aos ninhais para dormirem.
Aprendi a pescar, a comer quebra torto, dormir cedo para tomar leite puxado na hora – do peito da vaca. Meu avô mostrou-me tudo isso. Sempre me chamava pelo apelido – Nizinho – E sempre (sem falhar nenhuma vez) lançava: E Rosa, sua mãe, como que tá?

Meu avô era meu padrinho. Um homem admirável. Simples, de coração gigante e que sempre pensou no próximo. Ajudou muita gente. Desbravou estradas. Abriu caminhos para hoje muita gente passar nesse longo caminho pantaneiro.

Acho que a minha história é também assim. Abrir caminhos, desmistificar os preconceitos para que as gerações que estão por vir tenham certa leveza nessa estrada que vão encontrar.

Além das inúmeras coisas que meu avô me mostrou ele teve a grandeza de me levar para conhecer o mar. Fizemos uma viagem longa de carro de Cuiabá até o Litoral de Santos. Ele contava muitas histórias pelo caminho. Falava da grandeza do mar. Do perigo do mar. Queria me proteger. Um passarinho pequeno do pantanal ia enfrentar a grandeza daquele mundo de águas. Foi num fim de tarde de domingo, com o sol já desmaiando no horizonte, que cheguei a Santos e avistei aquele mar azul, lindo. Aquela imagem jamais se apagará da minha memória.

Assim como meu avô que ficará guardado para sempre na imagem e no coração.

Hoje em homenagem a ele quero assinar meu nome inteiro:
Menotti REINERS Griggi
 


 

 

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