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Vinhos de Catalunha

Continuamos nossa viagem pelo mundo do vinho. Na Espanha, perto de Barcelona, se produzem vinhos com sucesso há mais de meio século. As cepas brancas sempre gostaram desse clima mediterrâneo e da harmonização perfeita com paellas e frutos do mar. No Brasil, pouco se conhece sobre esta região, além das Cavas (espumante espanhol). Mas graças à explosão do turismo dos anos 60, muitos viticultores da Catalunha começaram a produzir tintos de qualidade. Vejamos as sub-regiões mais importantes da Catalunha e os rótulos mais recomendáveis.

Priorat - A região é pequena, mas tem uma das melhores reputações da Espanha. Os vinhos de alta qualidade são produzidos, principalmente, a partir das uvas Garnacha e Cariñena, que muitos pensam ser francesas, mas que na verdade são puramente espanholas. Nesta região o clima é continental, com verões quentes e secos, mas com noites frias, o que favorece o lento amadurecimento das uvas, que ganham desta forma uma notável concentração de aromas e sabores. Alguns viticultores modernos reconheceram o potencial do Priorato para a produção de vinhos de qualidade excepcional, demarcando alguns locais muito promissores para a produção de uvas, denominados "Clos" (a palavra em francês significa cercado, fechado. Essa palavra é comum, principalmente na Borgonha, para descrever um vinhedo exclusivo).  Na maioria desses Clos, uvas varietais francesas, tais como a Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah foram cultivadas e produzem hoje vinhos fantásticos como o Clos Dofi, o Clos Martitet e o Clos Mogador.
Penedés - A região se ergue a partir do Mediterrâneo, numa série de degraus e se divide em três zonas distintas. Cada uma faz vinhos bem diferentes. No Baixo Penedés cultivam-se vinhas para vinhos cotidianos. O Médio Penedés é um largo vale, cerca de 500 metros acima do nível do mar, separado da costa por uma cadeia montanhosa. É a região de maior produção, fabricando a maior parte dos vinhos que são a base para a produção dos espumantes Cavas. Nesse nível, a Tempranillo consegue produzir deliciosos tintos com excelente aroma e muita fruta. No Alto Penedés o micro-clima que se eleva até 800 metros nos contrafortes das montanhas, produz as melhores garrafas de vinhos tinto da região.
A phylloxera atingiu Penedés em1887, na mesma época em que José Raventos começou a estabelecer a firma Cordoníu e iniciou a produção do Cava (o espumante espanhol). Por decisão de Raventos, as vinhas doentes que anteriormente haviam produzido vinhos tintos semi-fortificados, foram replantadas com uvas brancas sadias para a produção de espumantes. A segunda e definitiva transformação radical aconteceu em 1960, quando a família de Miguel Torres revolucionou as técnicas de produção, utilizando tanques de aço e controle da temperatura na fermentação dos vinhos. A partir daí o reconhecimento da qualidade dos vinhos de Penedés foi ascendente.
O espumante espanhol permanece de um a três anos na adega. As principais uvas utilizadas para as Cavas são a Parellada, que propicia corpo suave e cremoso, a Macabeo, com vivacidade e acidez e a Xarel-lo, que confere amadurecimento, estrutura e complexidade ao excelente espumante espanhol. Embora sigam o método tradicional de segunda fermentação na garrafa, as adegas que atualmente fabricam o espumante espanhol, estão entre as mais modernas do mundo. Exemplo disso é a Freixenet e a própria Codorníu. Estes fabricantes disseminaram o Cava espanhol pelo mundo, tornando-o o espumante mais vendido e preferido do planeta. É beber para crer.
 


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