
Rótulos da Espanha
Acertar na escolha de um vinho do Velho Mundo, sem informações precisas sobre o produtor, é o mais parecido a um tiro no obscuro. Se já era difícil comprar um bom Espanhol, imagine como ficou depois da recente reformulação da legislação vinícola espanhola que aumentou o número de categorias existentes.
O sistema legal Espanhol foi inspirado no da França e também representa uma garantia “relativa” para o consumidor. Como nos demais países, apenas assegura que determinado produto vem, efetivamente, da região indicada no rótulo e que foi feito segundo regras bem determinadas e monitoradas por um conselho regulador.
Que informações podem nos auxiliar na hora da compra? Sempre repito na coluna: o rótulo é seu aliado. Vejamos na continuação, como funciona a lei e as complexas categorias que podemos encontrar nos rótulos de uma garrafa espanhola:
1. Vino de mesa: é o vinho inferior. Pode ser feito em qualquer região do país e não se enquadra na categoria DO.
2. Vino de la Tierra: vinho de mesa um pouco mais diferenciado, produzido em região vinícola tradicional do país (Andalucía, Castilla-La Mancha, etc.) e que também não se enquadra na categoria D.O. É o equivalente a Vin de Pays Francês.
3. Vino de Calidad con Indicación Geográfica (VDIT): criada em 2003, aplica-se a vinhos de bom desempenho que querem ser promovidos para DO. Os vinhos podem candidatar-se a DO após o mínimo de 5 anos.
4. Denominación de Origen (D.O.): vinho de qualidade, produzido em região delimitada e sujeito à severas regras que regulam as características do solo, os tipos de uvas utilizadas, o teor alcoólico, o tempo de envelhecimento, etc. Equivale a AOC francesa.
5. Denominacion de Origen Calificada (DOC): As regiões com mais de 10 anos de permanência na DO, como Rioja e Priorat, podem ser promovidas a DOC. Categoria idealizada para ser o topo da pirâmide na certificação. Um pouco injusto esse requisito, já que a DOC pode levar o consumidor à conclusão de que está comprando os vinhos de elite espanhóis. É verdade que Rioja e Priorat produzem vinhos espetaculares, mas a lei deixa de fora regiões com vinhos excelentes, como Ribera del Duero, por exemplo.
6. Vinos de Pago – Outra jogada de marketing recente para criar uma elite superior entre os vinhos espanhóis. Algo assim como os “crus” de Borgonha. Essa inovação determina que os vinhedos que se destacaram pela qualidade, durante certo tempo, possam entrar nesta categoria.
A dificuldade não acaba por aqui. Na Espanha existem também as subcategorias baseadas no tempo de envelhecimento dos vinhos. São elas:
Joven: Como o nome diz, é o vinho vendido no ano seguinte ao da colheita. Produzido para ser consumido no dia-a-dia.
Crianza: Vinho de melhor qualidade, envelhecido pelo tempo mínimo de 2 anos dos quais, pelo menos, 12 meses em barril de carvalho para os vinhos tintos.
Reserva: Envelhecimento mínimo de três anos na adega, sendo um ano em carvalho.
Gran Reserva: Um total de 60 meses na adega, sendo 18 deles nas barricas e o restante nas garrafas. Normalmente, são feitos nas melhores safras.
Na próxima semana, as regiões e as cepas da Espanha. É beber para crer. Olé!
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