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Piemonte

A região fica no noroeste da Itália, nos pés dos Alpes, perto da França. Se a qualidade é excepcional, o volume produzido é relativamente insignificante. É difícil afirmar qual é a melhor região vinícola da Itália. Mas sem nenhuma dúvida o Piemonte produz o que podemos descrever como alguns dos melhores vinhos da Itália. Os Alpes moderam o sol quente do verão e as temperaturas baixas resultantes preservam a acidez e aumentam a complexidade das uvas produzindo vinhos tintos incríveis. 
Mas antes de passar aos grandes tintos de Piemonte, vale a pena lembrar o Asti Espumante, produzido na região e bastante consumido no Brasil. O Asti foi o primeiro vinho espumante doce do mundo e começou a ser produzido no século XIX, quando Carlo Gancia adaptou para a região, o método francês de elaboração de espumantes. É agradável e acompanha bem as sobremesas. Mas não se deve esperar muito mais do que ele pode dar. Asti é um vinho de linhagem nobre que empobreceu através das gerações de técnicas baratas e produção excessiva. Agora sim, vamos aos tintos:
Barolo: é um vinho rico, robusto e poderoso produzido na pequena cidade do mesmo nome. Austero, difícil e complexo o Barolo não é recomendado para aqueles que estão engatinhando no mundo do vinho. É preciso algum treino para apreciá-lo com justiça. Quando no ponto, o Barolo torna-se o vino dei pensieri, o vinho dos pensamentos como dizem os piemonteses. Infelizmente, nem todo Barolo é tão perfeito. Assim como uma garrafa de borgonha francês, você precisa achar um bom produtor para, realmente, experimentar o vinho na sua melhor forma.
Barbaresco: a outra jóia do Piemonte, também é produzida na aldeia do mesmo nome, pertinho de Barolo. Apesar dos melhores exemplares serem tão concentrados, estruturados e impressionantes quanto seu “irmão” Barolo, existem diferenças sutis. O tanino é mais suave e elegante, a fruta é mais vermelha do que preta e evolui mais rápido que o Barolo.
Gattinara: Embora raramente receba os elogios que os dois grandes Bs conseguem, ele oferece os mesmos aromas e sabores sedutores num estilo ligeiramente menos encorpado, a preços muito mais accessíveis.
A historia da vinicultura Piemontes inclui várias tradições. No passado, as uvas atacadas por vírus, amadureciam com dificuldade, provocando vinhos extremamente tânicos. Devido ao excesso de tanino, os produtores amadureciam o vinho em carvalho por vários anos. Nas melhores safras, o resultado era um vinho de grande estrutura balanceado por fruta, mas na maioria dos casos havia desequilíbrio. Progressos recentes na vinicultura passaram a assegurar o amadurecimento, resultando em exemplares mais frutados e menos tânicos, mais acessíveis quando jovens. Os tradicionalistas argumentam que a balança pendeu para o outro lado e os melhores vinhos podem perder a personalidade forte que lhes valeu o árduo reconhecimento.
A razão da fama dos vinhos tintos de Piemonte é a uva Nebbiolo. Quando jovem, devido à grande massa de tanino e acidez, a Nebbiolo deixa o vinho impenetrável e distante, mas com um perfume já sublime. Com a idade (no mínimo uma década) o buquê desenvolve a eloquência que lhe faltava na juventude. Esta uva encontra o ponto exato de maturação nessa região, gerando vinhos caros, mas inesquecíveis. É beber para crer.
 


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