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Classificação dil Vino

Em nossa viagem pelo mundo do vinho, vimos que os italianos consomem mais vinho que qualquer outro país no mundo, chegando a 104 litros per capita. Para alguns leitores foi uma surpresa descobrir em nossas colunas que a Itália disputa a liderança na produção e exportação de vinho com a França. Itália é assim. Um país menos charmoso que a França, menos organizado que a Alemanha e muito menos silencioso do que a Suíça. Mas poucos paises conseguem influenciar tanto na culinária mundial quanto à Itália. E os vinhos pegam o embalo da grande “cucina”. Assim hoje, os vinhos da bota correspondem a 60% dos vinhos importados pelos EUA e as garrafas italianas também são exportadas para a Alemanha e até para a França.

A expansão dos vinhos italianos é surpreendente, tanto pela quantidade dos tipos de uva como pelos estilos diferentes de vinhos. Para entender de vinhos italianos precisamos voltar no tempo e lembrar um pouco das aulas de geografia no colegial. A grandiosidade e riqueza em cada pequena região produtora da Itália são tão significativas, que seria impossível não falar, individualmente, de cada uma delas.

Mas antes de pegar carona pelas belas estradas da bota, precisamos conhecer um pouco sobre a classificação vinícola italiana. Imaginemos uma pirâmide de qualidade. Na parte de baixo (base) encontramos o simples vino da tavola, vinho de mesa, que pode ser rotulado como tinto (rosso), branco (bianco) ou rosé, mas sem nenhuma menção de cepa nem de localidade. A categoria seguinte, análoga a dos vinhos regionais franceses (vins de pays) é a dos vinhos de indicazione geográfica típica (IGT), que proveem de uma zona determinada, podendo ou não trazer no rótulo o nome da uva. Finalmente, no topo da pirâmide encontramos as DOC e DOCG (Denominazione di origine Controllata e Garantita). A palavra ‘Garantita’ designa um grau de qualidade superior. As exigências são maiores. Existem hoje 301 DOC e 29 DOCG. Como que na França, o sistema permite uma supervisão constante das denominações de origem controlada. Anteriormente uma DOCG de Chianti, por exemplo, englobava toda a região. Hoje, a nova lei autoriza a menção (por ordem decrescente de tamanho) de sub-zonas, comunas, localidades, microzonas, propriedades e até mesmo parcelas de terra especificas. Finalmente, a lei permite uma avaliação dos vinhos no momento da vindima: se eles não atendem a certas condições, são desclassificados, passando, por exemplo, de uma subzona especifica a denominação DOC genérica.

Até aqui tudo bem. Em teoria parece moleza identificar vinhos italianos de qualidade. Infelizmente, a classificação DOCG não é garantia de qualidade excepcional, pois em muitos casos as leis não são suficientemente rigorosas. Um vinho DOCG não é necessariamente superior a um DOC, pois várias regiões foram promovidas a DOCG por razões políticas. Para complicar mais ainda, alguns produtores italianos preferem evitar o estatuto das DOC, porque não consideram o estatuto relevante ou porque preferem usar cepas ou técnicas que não são permitidas pela legislação em vigor. Portanto, vários dos melhores vinhos italianos são comercializados como IGT ou mesmo VDT. Complicou? Pois é. Como falamos em outras colunas; beber bom vinho italiano exige certo esforço e estudo. Para “descomplicar” um pouco, aqui vai uma dica: o rótulo é seu aliado. Analise bem antes de comprar. Uma garrafa rotulada com DOCG de uma região de grande prestigio como Montalcino, por exemplo, já dá uma boa pista sobre o vinho. Se o rótulo for IGT ou VDT, não torça o nariz. Conhecer o nome do produtor é essencial nesses casos. Dá trabalho, mas compensa. É beber para crer.
 


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