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Itália

Continuamos nossa viajem pela belíssima Itália. Em colunas anteriores vimos que com 3000 anos de história, a viticultura italiana se mantém, solidamente, à frente da produção mundial, produzindo e consumindo mais vinho do que qualquer outra nação do mundo, exceto a França.

A história indica que em apenas 200 anos, os Romanos fizeram mais pela viticultura européia do que italianos e franceses conseguiram fazer pelo vinho em 2000 anos de evolução. Durante o apogeu do Império Romano o vinho nutria orgias e inspirava autores e poetas. Graças a Roma o cultivo de vinhas e a produção de vinho se elevaram a um nível que só foi superado pelo advento de progressos como a pasteurização e o controle de temperatura.

A queda de Roma não significou o fim da era dourada do vinho. Numa nação ferozmente dividida o vinho prosperou de forma segmentada. Assim, cada governo regional, protegia e fomentava suas próprias variedades vinificas e sistemas tradicionais de produção.  Nessa base, que valoriza a individualidade e características locais de cada região, se sustenta até os dias de hoje a viticultura da velha bota. O vinho italiano de hoje reflete como poucos produtos a identidade italiana e sua longa história. A diversidade de vinhos italianos impressiona. Entender esta diversidade para comprar melhores garrafas exige estudo e atenção dos apreciadores de bom vinho.

Em Mato Grosso, como no Brasil inteiro, a preferência pelos tintos é quase absoluta. Portanto, é interessante saber que os vinhos italianos tintos –além de numerosos – normalmente, são bem melhores que os brancos. Mas quem quiser mergulhar nos tintos italianos precisa ser advertido. Vinho italiano é diferente. Não é justo compará-los com os franceses ou chilenos. É verdade que, hoje, alguns seguem exemplos de Bordeaux. Mas são exceções diante do volume gigantesco de produção italiana.

A premissa máxima que indica que vinho e comida devem caminhar juntos cabe como uma luva para os vinhos italianos. Tanto que em degustações comparativas (sem comida) os vinhos italianos, dificilmente, são premiados. Mas basta colocá-los perto de uma pasta ou um pedaço generoso de grana padano que eles se agigantam.

Infelizmente, o vinho italiano no Brasil é caro. Os de preço relativamente baixo costumam  ser fracos. Na velha e conhecida relação qualidade-preço não se saem muito bem e perdem competitividade frente aos bons chilenos e argentinos. Uma pena. Porque alguns vinhos italianos são insuperáveis; distintos. Numa época de padronização mundial como na que vivemos; em que vinhos gerados pela Cabernet, com excesso de madeira e abundante álcool, os italianos – principalmente os feitos com uvas locais - mantém sua personalidade elegante e intacta.

Nas próximas semanas abordaremos as leis que regulam e ajudam a compreender as tradições locais e entraremos definitivamente nas regiões mais importantes da Itália e seus rótulos. É beber para crer. Até a semana que vem.
 


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