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Itália vs França

O título da coluna pode lembrar a final da copa do mundo de 2006 onde o Materazzi recebeu uma cabeçada formidável do astro do selecionado francês Zinedine Zidane. Mas a verdade é que não só no futebol que italianos e franceses travam uma batalha de supremacia. Ambos os paises são hoje os maiores produtores e consumidores de vinho do planeta e lutam pelo primeiro e segundo lugares no ‘ranking’ mundial há muito tempo. Quem passeou alguma vez pelo interior da Itália e da França entende o que o vinho significa para estas nações. São emblemas e orgulho nacional. As uvas estão por toda parte. Mas existem diferenças. Aliás, grandes diferenças. Em nossa volta ao mundo do vinho vamos agora abandonar a França e situar-nos na bela península Italiana. Antes de entrar nas regiões, uvas e rótulos da Itália. Vale a pena conferir um pouco da história do vinho italiano para compreender sua evolução até os dias de hoje.

A viticultura italiana se iniciou na Sicília 2.000 AC. Por volta do ano 1.000 AC a viticultura se ampliou para o centro e norte. A população itálica, entretanto, já cultivava a vinha e produzia vinho ainda que de maneira rudimentar. Não é por acaso que Enotria é o antigo nome da península, que desde muito tempo era considerada "Terra do Vinho". Os romanos, talvez mais do que qualquer outro povo, têm o mérito de difundir o vinho, sobretudo de refinarem os métodos enológicos a tal ponto que, alguns de seus avanços, não foram melhorados até o século XVIII. Os legionários romanos de fato, tinham orientação durante as conquistas, de implantar culturas e ensinar à população local a técnica da produção do vinho. Assim, graças ao império, a viticultura se difundiu na França, Espanha, Alemanha e norte da África. O desenvolvimento da produção na Itália e em toda Europa nos séculos seguintes à idade média, se deve em grande parte aos conventos que se tornaram centros produtores. A necessidade de se dispor do vinho para a Santa Missa contribuiu para a expansão da atividade. No século XIX, devido à doença da philoxera que atingiu os vinhedos europeus, a viticultura italiana se viu privada de várias espécies autóctones e teve que utilizar a via do enxerto em cepas americanas, seguida de transformações nas técnicas de cultivo, para continuar com a produção das uvas. A partir do final da década de 60, a Itália passou por mudanças radicais aumentando, notavelmente, a qualidade dos vinhos produzidos. As principais mudanças foram à extinção dos vinhedos de cultivação promíscua, cultivados junto à outras culturas e a introdução do controle de temperatura no processo de fermentação que abriu novos horizontes para a qualidade do vinho italiano. A modernização dos processos de produção trouxe melhorias significativas, partindo principalmente da região da Toscana e difundindo-se, posteriormente, para toda Itália.

Os números da Itália são tão surpreendentes quanto os da França. A ‘bota’ produz hoje mais de 54 milhões de hectolitros anuais; detém cerca de 20% da produção mundial de vinho e cerca de um terço da produção européia. Exporta, anualmente, cerca de 10 milhões de hectolitros e é o segundo maior exportador mundial, seguindo bem de perto seu eterno rival: a França. A Vecchia Signora levou a copa do mundo nos pênaltis. Nas próximas semanas analisaremos as verdadeiras chances da Itália roubar da França o título de melhor produtor de vinhos do mundo. É beber para crer. Até a semana que vem.
 


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