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Romanée Conti

Se existisse uma lista dos vinhos que os enófilos do mundo mais almejam beber alguma vez na vida, sem dúvida o primeiro do ranking seria um ‘Romanée Conti’. No Brasil a marca ‘Romanée Conti’ ganhou destaque em 2000 quando o marketeiro Duda Mendonça, publicamente e de forma espetaculosa, presenteou o Lula com uma garrafa da safra 97 cotada em mais de R$ 6.000,00. Mas a verdade é que a história do vinho ‘Romanée Conti’ é muito mais rica e longa que o fato isolado acontecido na cúpula do PT.

Desde que o assunto da garrafa do Lula virou noticia e até os dias de hoje, duas perguntas ficaram em aberto: será que este vinho é mesmo excepcional? Será que vale realmente o preço pelo qual é negociado?

A primeira pergunta é fácil de responder. Os mais sérios especialistas do mundo do vinho não duvidam em afirmar que nos melhores anos não há vinho que se aproxime em termos de qualidade, intensidade de aromas, elegância, longevidade e paladar como os rótulos da ‘Romanée’. Quanto à segunda pergunta, sobre a relação valor e preço, depende de muitos fatores. Começando pela conta bancária do comprador não devemos esquecer que este vinho simboliza hoje um dos maiores ícones de status e luxo do mundo, muito mais que uma simples garrafa de vinho. Como isso aconteceu?

  “Trata-se de uma propriedade famosa pela excelente qualidade de seu vinho. Sua localização no território vinícola de Vosne é mais adequada para a perfeita maturação das uvas; mais alta no lado oeste, recebe os primeiros raios de sol em todas as estações do ano, sendo impregnada pelo calor mais intenso de dia. Não podemos negar que o vinho de ‘La Romanée’ é o melhor de toda a Cote D´Or e até mesmo de todas as vinícolas da República Francesa; quando as condições climáticas permitem, este vinho se distingue dos outros excelentes ‘terroirs’; sua cor esplêndida e aveludada, sua energia e seu buquê encantam todos os sentidos humanos. Bem guardado, torna-se muito melhor quando se aproxima de 8 a 10 anos de envelhecimento, transformando-se então em um bálsamo para os idosos, os frágeis e os deficientes e devolve a vida aos moribundos”.

O texto acima poderia ter sido escrito a semana passada, mas trata-se de um documento do período da Revolução Francesa. Este documento exemplifica um pouco o significado deste ‘terroir’. São séculos de excelência. A vinícola faz jus à reputação e aos preços exorbitantes. Além das características únicas do ‘terroir’, os vinhos são tratados com cuidado e tecnologia de ponta. Isso é suficiente para cobrar esses preços? Pode ser. O fato é que tem gente que paga. E o preço é um resultado justo da lei entre oferta e demanda. A produção anual limitadíssima de 6.000 garrafas, resultado de um terreno minúsculo de 1,8 hectare, é disputada por ricos e novos ricos do mundo inteiro. Até sua comercialização é especial, pois a vinícola só vende caixas fechadas nas quais apenas uma garrafa é do grande ‘Romanée’. Outros ‘grand’ crus da empresa nada baratos completam a caixa de seis garrafas. Os vinhos da ‘Romanée’ são tão exclusivos que em muitos casos dá mais trabalho encomendá-los, do que tomá-los, resultando em preços mirabolantes.

Eu experimentei apenas uma vez uma taça de ‘Romanée’ a convite de uma importadora. Demorei mais de meia hora para engolir aquele néctar tão precioso. Achei o vinho grandioso. Mas não pagaria esses preços. Nem sequer para agradar o Lula. É beber para crer. Até a semana que vem.
 


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