
Pink
Pouco tempo atrás, na década de 50 precisamente, o vinho mais apreciado pelos franceses não era nem branco, nem tinto. Era vinho rosé. Segundo o livro Book of the French Wines - “Os homens demandavam vinhos rosés mais frequentemente que tintos e as mulheres sempre escolhiam vinhos rosés ao invés de brancos”. No final do século passado o vinho rosado perdeu mercado. Passou de moda e praticamente sumiu, exceto em regiões como Provance onde a tradição pelo vinho Rosé sempre foi muito forte. Felizmente a moda sempre vai e volta. E com o vinho rosado não podia ser diferente.
Foi uma grata surpresa descobrir na Expovinis 2008 que o vinho rosado é a aposta inovadora para os próximos anos. Na feira calculei, aproximadamente, uma media de duas marcas de vinhos rosados por importadora. Isso sem contar os maravilhosos espumantes rosados. Além do vinho ser refrescante e adaptar-se perfeitamente ao clima brasileiro, os produtores tem caprichado nas garrafas. Um apelo inteligente dos vitivinicultores para o mercado feminino. Imagine um líquido rosado e brilhante dentro de belas garrafas de design charmoso e arrojado. Bem, é assim que o rosado vem abrindo seu espaço no mercado mundial.
Na verdade, tanto no Brasil como em grande parte do mundo, o rosado viveu numa espécie de limbo entre tintos e brancos. Sempre foi visto como vinho sem caráter e de segunda categoria. Em Cuiabá, por exemplo, é completamente ignorado na maioria das cartas dos restaurantes. Nas prateleiras dos supermercados locais não é diferente. Os tintos se encontram por centenas, os brancos por dezenas e o rosado, por unidades. Por quê? Como me disse uma vez um grande sommelier amigo: “o rosado é mal compreendido porque é desconhecido. Ele é julgado como pato, quando na verdade é um cisne. Um cisne porque tem a valentia do tinto, a delicadeza do branco e a densidade de nenhum dos anteriores. É o vinho mais difícil de fazer – são poucos os bodegueiros que se atrevem. É um vinho que não pode ser conseguido, arrumado, corrigido ou atualizado com cortes”.
Se você já sentenciou que não gosta da “frescura” dos brancos - como a maioria dos consumidores brasileiros - tudo bem. Não vou insistir. Mas o Rosado é uma bela opção para quem acha que vinho só pode ser tinto. Digo isto porque um rosado de boa procedência apresenta, como a maioria dos tintos, boa intensidade de frutas vermelhas e também um corpo mediano que harmoniza com uma grande gama de pratos. Churrascos, peixes, paella, frutos do mar; enfim, nada muito condimentado casa perfeitamente com um rosé. Alguns experts até exageram declarando que o rosé é o último elo na cadeia do aficcionado de vinho que, majoritariamente, entra nesse mundo pelo espumante, passa para o tinto, muda para o branco e termina com o rosado.
Ao igual que muitos homens da França, sempre gostei e degustei vinho rosado. Insisto em que brancos e rosados deveriam ter uma maior aceitação no Brasil. No clima tropical do centro-oeste, nem se fala! Esses vinhos foram feitos para serem consumidos quase gelados, portanto deveriam ocupar maior espaço nas mesas dos mato-grossenses do que os tintos. Se você ainda tem preconceito e acha que rosa não é cor de macho, meu conselho é que saia do quadrado e experimente um vinho pink. Garanto que não vai se arrepender. Sua namorada vai se derreter com uma dessas garrafas e você vai acabar se dando muito bem no fim da noite! É beber para crer. Até a semana que vem.
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