
Expovinis 2008
Falar sobre vinhos é maravilhoso, mas bebê-los é muito melhor. É por isso que a semana passada viajei para São Paulo para visitar a Expovinis. Esta feira é o maior encontro de produtores e importadores de vinhos que acontece no Brasil. Um prato cheio para os amantes e apreciadores de bom vinho.
A diferença de anos anteriores é que a organização da Expovinis 2008 foi perfeita. A temperatura e exposição das garrafas estavam corretas, a decoração e iluminação dos estandes cuidadosamente planejados e o terrível problema de climatização do recinto (que foi a água no vinho da edição anterior) foi, finalmente, resolvido. Em resumo, a Epovinis 2008 foi uma verdadeira festa.
E os vinhos? Alguns ótimos! Como sempre, experimentamos alguns vinhos que não dá vontade de cuspir. Ah, você pensou que dava para tomar? Bem, ninguém proíbe, mas a feira é um encontro de profissionais. Tem tanto vinho para provar que se você for engolir tudo o que prova, uma hora é suficiente para pedir um táxi e voltar para o hotel completamente bêbado. Confesso que teve vinhos que não consegui cuspir. Até passei vergonha pedindo mais uma tacinha de degustação. Mas foi por mera justiça: eram vinhos maravilhosos!
A dinâmica do mundo do vinho é realmente surpreendente. Todo ano tem novidades, novos produtores, novos importadores e novos vinhos. Este ano a Expovinis colocou os holofotes sobre o vinho brasileiro e seus desafios para ganhar um mercado tomado por argentinos e chilenos. Que o Brasil pode fazer bons vinhos ninguém mais discute. Mas por quê o custo do bom vinho brasileiro é maior que os importados?
Como colunista, além de cuspir os ruins e beber os bons, eu aproveito estes eventos para aprender sobre vinhos e achar respostas a esse tipo de perguntas. Nesta edição tive a sorte de conhecer um ícone do comércio de vinhos no Brasil: Darío Taibo. Darío é proprietário da Sociedade da Mesa, o maior clube de vinhos do Brasil. Paulista, filho de espanhóis e muito engraçado, Dario é sem dúvida um dos enólogos que mais entende do mercado nacional e um dos poucos profissionais do setor que fala todas as verdades do vinho, sem pelos na língua. Num jantar informal, regado a vinho e “parrillada” argentina, perguntei a Dario sua opinião sobre os desafios do vinho brasileiro. A resposta de Dario foi lúcida, reveladora e muito hilária:
“O vinho nacional de qualidade é caro. Os produtores que conheço reclamam serem vítimas de impostos muito altos e ainda apontam a concorrência com produtores que obtêm subvenções à produção e à exportação. Mas uma das principais razões do alto preço do vinho nacional está no que chamo de Síndrome do Urso Polar. Para criar um urso polar no Pólo Norte não é preciso muito mais que um filhote e um cercado, mas para criar um urso polar no Brasil será necessário um ambiente climatizado, um veterinário especializado em ursos polares, importar carne de foca e por aí afora. Ainda assim, nosso urso crescerá deprimido, estará confinado e por mais que se tente nunca conseguiremos reproduzir com fidelidade seu habitat natural. Uma vez adulto, nosso urso terá custado uma fortuna. Aquele que cresceu no Pólo Norte terá custado muito pouco e estará muito mais saudável. Claro que essa figura é um pouco exagerada, mas explica em parte o que acontece com o vinho no Brasil e o porquê de seus valores. Mas nada é impossível: nesta Expovinis podemos conferir que, após algumas gerações, já existem alguns ursos que crescem saudáveis comendo arroz com feijão da Serra Gaúcha”. É Beber para Crer. Até a semana que vem.
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