4 homens invadem em bairro nobre casa e faz duas reféns
05/09/2008 08:24 Atualizado em 05/09/2008 07:49
Um assaltante, não identificado, conseguiu fugir. O outro, Erickson Luis de Oliveira Padilha, que dava apoio do lado de fora, foi preso em flagrante. Os outros dois se trancaram em um dos quartos da casa, mantendo as duas menores como reféns. Durante as negociações, Pires chegou a disparar um tiro.
O pedreiro que trabalhava no local, Luís Thomaz, 44, e um amigo da família que se identificou apenas como Luciano também foram rendidos. Os dois foram amarrados e ficaram deitados na sala. Quando a polícia chegou, acabaram liberados.
Durante a negociação, comandada pelo coronel Osmar Lino Farias, os assaltantes fizeram várias exigências e pediram cigarros e comida. Eles exigiram a presença da imprensa, das mulheres deles, de um advogado e da presidente da Comissão de Diretos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Betsey Miranda. Quando todos já estavam lá, os assaltantes ainda resistiam e não se entregavam. Aumentaram as exigências e queriam que o fato fosse transmitido ao vivo pelas emissoras de tv. Depois exigiram a garantia que não seriam encaminhados para o Raio 5 da Penitenciária Central e que fossem levados para a Cadeia Pública Capão Grande, em Várzea Grande.
Apesar de o coronel afirmar que não cederia ao pedido de que fossem levados para o Capão Grande, a presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB negociou com a secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e garantiu as duas vagas para Pires e Ribeiro naquela cadeia.
A ação
Os assaltantes invadiram o imóvel por volta das 12h30. Eles aproveitaram o fato de o portão estar sendo consertado e com isso entraram na residência. O pedreiro relata que teve os braços amarrados para trás com o próprio cinto. Ele contou ainda que os assaltantes queriam que ele tirasse toda a roupa e ele pediu que não fizessem isso em respeito as meninas. "Eles amarraram a camiseta na minha cabeça e mandaram eu não olhar para cima. Pediam calma e afirmavam que não iam fazer nada. Perguntavam se tinha cofre e armas na casa".
A menor R., que é filha da proprietária da casa, e F, que é prima da primeira e também mora no local, afirmaram que não foram agredidas pelos assaltantes. "Eles me pegaram pelo braço e colocaram a arma na minha cabeça. Pediram onde estavam os monitores, jóias e cofre. Falaram que alguém já tinha contado tudo e que tinham informações que a minha mãe saia cedo e só voltava a noite e que na casa só ia estar o pedreiro e a empregada", conta R.
A adolescente afirma que em dois momentos teve medo. Primeiro quando Pires disparou um tiro. Ela afirma que ele estava muito irritado pelo fato de a polícia não atender os pedidos. O outro momento que as adolescentes afirmam terem sentido medo foi quando a polícia deu 10 minutos para os assaltantes se entregarem.
R. conta ainda que quando a polícia chegou os assaltantes já estavam de saída. Eles falaram que iam trancar as duas no quarto e que elas tinham que esperar 30 minutos para saírem, para dar tempo deles fugirem. "Quando eles estavam saindo a polícia chegou. Ele me pegou pelo pescoço, me levou par ao quarto e mandou trancar a porta. Acho que foram 4h lá dentro. Eles falavam que só iam ameaçar para a polícia, mas que não iam fazer nada com a gente".
Segundo R., os assaltantes contaram que já foram presos e que o raio 5 era usado como lugar pra castigo e por isso não queriam ir para lá. F. foi a primeira a ser libertada. Ela saiu junto com Ribeiro. Pires só saiu após Ribeiro ligar do camburão e afirmar que a imprensa estava no local e ninguém tinha tocado nele. Pires saiu então com R., segurando no pescoço da vítima. Entregou a arma para Betsey Miranda e só soltou a menor quando chegou na viatura. Os dois foram encaminhados para o Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) do bairro Verdão.
A negociação - O coronel Farias afirmou que "quanto mais demorado um gerenciamento de crise, melhor é o resultado". "Quanto você tenta resolver uma crise de atropelo, o resultado é nefasto. Temos que ganhar tempo. No começo os bandidos exigem tudo e depois percebem que a condição deles não é boa. Precisamos esperar abaixar o estresse".
O coronel relata que os dois assaltantes demonstraram conhecer muito bem o procedimento do raio 5 e por isso acreditava que eles tinham outras passagens pela polícia. "No começo o nível de estresse estava muito alto, tanto que chegaram a disparar um tiro na porta do quarto".
Os vizinhos, que acompanharam de perto as negociações, relatam que o bairro tem sido alvo constante de assaltos, que geralmente acontecem no período da tarde. Um morador próximo afirmou que já foi assaltado 13 vezes.
Coronel Farias afirma que o índice de furto é realmente alto no local, mas que há vários fatores que contribuem para isso. Ele destacou que a casa invadida estava sendo reformada e o maior agravante é que há muitos terrenos baldios no loca. "Os marginais ficam escondidos nestes terrenos baldios e sabem quantas vezes a polícia passa nas ruas e quais os horários".
Os assaltantes - Erickson disse que mora em Diamantino e que conheceu os assaltantes há 4 dias. Que foi chamado para cometer o assalto e decidiu ir porque estava sem dinheiro. No roubo foi usado um Corsa preto, placa 3176 de Campo Grande, que segundo informações é de Erickson. O assaltante que conseguiu fugir foi de moto, que ficou em frente a residência invadida.
Na delegacia, os assaltantes negavam que tivessem passagens, mas o advogado de Ribeiro, Valdemar Amorim, confirmou que foi chamado por ele para ir ao local e que já tinha defendido-o em outra acusação de roubo. Segundo o advogado, Ribeiro deixou a prisão há cerca de 6 ou 7 meses.


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