Grampos: reunião com Lula termina; decisão sairá à tarde
01/09/2008 12:04
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se por mais de duas horas nesta manhã para avaliar que providências tomar diante das denúncias de que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) teria feito grampos clandestinos em gabinetes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), dos ministros José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) e Dilma Rousseff (Casa Civil), do chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, além de parlamentares governistas e de oposição. O encontro foi a portas fechadas e os presentes foram orientados a não divulgar nenhuma informação até que o presidente Lula reúna seus principais ministros, na reunião semanal de Coordenação Política, a partir das 15h.
A reunião, que começou pouco antes das 9h30, ocorreu a pedido do presidente do STF, Gilmar Mendes, que, no sábado, com as informações de que teria sido monitorado irregularmente, havia exigido que o presidente Lula tomasse providências o mais rápido possível. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, chegou a defender no fim de semana a responsabilização penal dos envolvidos.
O STF só deverá se pronunciar após o Conselho de Ministros do Supremo se reunir, em audiência marcada para as 16h. O encontro de hoje no Palácio do Planalto contou, entre outros, com as presenças de Lula, Gilmar Mendes, do vice-presidente do STF, ministro Cezar Peluso, do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Ayres Britto, e do ministro Jorge Félix (Gabinete de Segurança Institucional), a quem está subordinado o diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, além dos chefes das pastas da Justiça, Tarso Genro, e da Defesa, Nelson Jobim.
A expectativa é que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República atuem nas investigações sobre o caso. No fim de semana, a Abin abriu sindicância interna para apurar as responsabilidades pelos grampos ilegais e a eventual participação de antigos servidores da agência, contrários à gestão de Paulo Lacerda, no episódio.
O grampo
De acordo com reportagem da revista Veja, a Abin teria gravado conversa telefônica do ministro Gilmar Mendes com o senador Demóstenes Torres. A reportagem traz a transcrição do diálogo e diz que teve acesso aos documentos por meio de um servidor da agência, que pediu anonimato.
O diálogo telefônico de pouco mais de dois minutos entre Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) teria ocorrido no fim da tarde do último dia 15 de julho. A revista diz que, mesmo sem ter relevância temática, o diálogo prova a ilegalidade da espionagem.
No telefonema, Demóstenes pede ajuda a Gilmar contra a decisão de um juiz de Roraima que teria impedido o depoimento de uma importante testemunha na CPI da Pedofilia, da qual é relator. Mendes agradece a Demóstenes por ter criticado, na tribuna do Senado, o pedido de impeachment do presidente do STF feito por um grupo de promotores descontentes com o habeas-corpus concedido ao banqueiro Daniel Dantas. Na época, a Polícia Federal acabara de concluir a Operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro duas vezes. A assessoria de Mendes confirma a conversa com o senador.


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