PF prende 13 suspeitos de grilagem de terra e corrupção em MT
03/07/2009 17:42
A Polícia Federal prendeu hoje, em três estados, Goiás , Minas Gerais e Mato Grosso, 13 pessoas suspeitas de se apropriar de áreas da união em Mato grosso. A maioria dos presos são policiais militares (PMs). Entre os policiais presos estão oficiais de auta patente. A ação da polícia chamada de 'Operação Pluma' teve início na manhã desta sexta-feira.
Segundo a Polícia Federal, os suspeitos usavam homens armados para expulsar posseiros e famílias de sem terra das áreas que o grupo se apropriava. Depois falsificavam documentos em cartório e tentavam legalizar as áreas. Segundo a PF, os policiais davam apoio ao grupo criminoso, atuando como seguranças ou retirando as famílias de sem terra.
Uma das fazendas griladas pelo grupo foi vendida depois, ilegalmente, por R$ 15 milhões. Os suspeitos, segundo a Polícia Federal, ainda teriam se apropriado de uma área indígena em processo de demarcação na região do Araguaia, nordeste de Mato grosso. Lá,
derrubou mais de 60% da área de floresta nativa.
Os presos podem ser indiciados em mais de dez crimes , entre eles: corrupção passiva, ativa, grilagem de terra e lesão corporal grave.
A 'Operação Pluma'
Até o fim da manhã, quatro políciais militares já estavam presos, de acordo com informações da assessoria da Polícia Federal. A operação foi desencadeada para combater a prática de grilagem de terras da União, especialmente aquelas destinadas à reforma agrária, e outros crimes vinculados a ela como os crimes contra a vida, a administração pública, o meio ambiente, corrupção ativa e passiva, peculato, prevaricação, extorsão, usurpação de bens da união, crimes ambientais, lesões corporais e lavagem de dinheiro.
Dentre os mandados de prisão expedidos para a operação, sete eram de servidores públicos, dentre os quais seis são oficiais da Polícia Militar de Mato Grosso.
A área de atuação dos acusados são nos municípios da região do Vale do Araguaia, como em Vila Rica (1258 quilômetros de Cuiabá), Santa Cruz do Xingu (994 quilômetros da capital), Confresa (1160 quilômetros), Porto Alegre do Norte (1125 quilômetros), Ribeirão Cascalheira (900 quilômetros), Alto Boa Vista (1058 quilômetros) e São Félix do Araguaia (1200 quilômetros). A investigação também concluiu que contribuíram para as atividades criminosas, empresários, supostos policiais militares e pistoleiros do Estado de Goiás e financiadores do Distrito Federal, por estarem interessados nas áreas de terra da região.
Para a operação, 120 policiais foram designados para cumprir 19 mandados de prisão temporária, 24 mandados de busca e apreensão e a determinação seqüestro de bens e valores dos envolvidos.
Investigação
Investigações levaram a uma organização criminosa com ramificações em Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, que utilizava diversos meios para obter terras a baixos custos e revendê-las posteriormente. Na investigação foram identificados diversos crimes.
O grupo teria feito grilagem de terras e extração de insumos vegetais da área da reserva indígena Maraiwatsede; expulsado assentados de áreas já destinadas à reforma agrária e emitido títulos de domínio falsos, para obter indenização do poder público pela desapropriação de áreas inexistentes. Eles também são acusados de pressionar e extorquir pequenos e médios fazendeiros da região para que vendessem seus imóveis a preço inferior ao do mercado, para revenda a empresários de Goiás.
Os criminosos ainda são acusados de comercializar serviços de segurança privada, a serem realizados por pistoleiros e policiais militares lotados na região, por vezes com o uso indevido de recursos humanos e materiais da corporação policial.
Outras informações em instantes

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