Artesanato de Mato Grosso será vendido na Colômbia
06/01/2009 13:50
Artesãos de Mato Grosso que participaram da missão técnica à Expoartesanías, maior feira de varejo de artesanato da América Latina, ocorrida em dezembro de 2008, em Bogotá, na Colômbia, voltaram ao Brasil com o objetivo de comercializar seus produtos no país vizinho, onde a atividade artesanal ocupa um importante lugar na economia e na cultura.
Os profissionais Helton Ourives, Cleide Rodrigues, Maria Helena Alves de Oliveira e Lucimara Sales Freitas conheceram um pouco dessa realidade e fizeram contatos importantes para vender seus produtos em Bogotá. Eles integraram a missão técnica organizada pela Secretaria de Indústria, Comércio, Minas e Energia (Sicme) e Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Mato Grosso (Sebrae/MT).
Além de participar da feira, que reuniu mais de 850 expositores, também fizeram visitas a lojas e centros de produção e comercialização de artesanato e também na Vila de Leiva, província que se tornou um pólo turístico e de artesanato em cerâmica, fibra, tecelagem e madeira.
Helton Ourives, da Qualytiteka, de Cáceres, que produz peças decorativas e utilitárias em teca, conta que conseguiu uma representação na Colômbia e que já está providenciando a remessa de 20 suportes para notebook e 15 bandejas com alça em metal. “Participar dessa missão foi um impacto fantástico. Um choque cultural que abriu nossa visão e nos deu expectativas novas”, disse, empolgado.
Há dois anos no mercado, a Qualytiteka vem se despontando por produzir peças inovadoras, com design arrojado e com um forte apelo ecológico. Todos os produtos são feitos com sobras de teca, madeira nativa de florestas tropicais do sudeste asiático que, além de reconhecida pela resistência, se tornou símbolo de reflorestamento pela facilidade de cultivo e crescimento rápido.
As flores de papel artesanal com bagaço de cana-de-açúcar também foram muito bem aceitas na feira, e Maria Helena Alves de Oliveira, presidente da Cooperativa Mulheres de Fibra, de Nova Olímpia, diz que todas as amostras levadas para o evento foram vendidas. “Os produtos que mais chamaram atenção foram as flores e os vasos, e nós estamos negociando para termos uma representação lá”, disse, acrescentando que vai buscar uma forma de mandar as peças junto com outros artesãos de Mato Grosso para que o transporte fique mais viável do ponto de vista econômico.
Ela conta que viu poucas coisas feitas em papel artesanal, apesar de a Colômbia ter um universo amplo e diversificado de produtos. “Vi muitas coisas e tive idéias para criar novas peças. O artesanato deles é de muita qualidade o acabamento é impecável”, observa.
A ceramista Cleide Rodrigues, da comunidade de São Gonçalo, destacou a grande quantidade de artesanato em cerâmica feita pelos colombianos. “Lá tem um artesanato muito forte em cerâmica, mas a maior parte é pintada, bem colorida, não existem muitas peças na cor natural do barro como as que fazemos aqui”, constata vendo possibilidades de mercado para seu produto. Ela já recebeu pedidos, especialmente dos utilitários e revela animada “agora no início de 2009, vou fazer um mostruário de peças para mandar para a Colômbia”.
Mato Grosso foi convidado de honra na Expoartesanías, onde representou o Brasil ao lado de outros nove países: Bolívia, Equador, Guatemala, Índia, Indonésia, México, Paraguai, Paquistão e Peru. No estande mato-grossense, montado pelo Governo do Estado, através da Sicme e Sebrae/MT, foram apresentados produtos artesanais em cerâmica, madeira, tecelagem, tecido e fibras, dos núcleos Cores do Algodão (Pedra Preta), Dom & Arte (Dom Aquino), Fibra Nativa (Nova Olímpia), Mulheres de Fibra (Rondonópolis), Patauá Arte Design (Alta Floresta), Cleide Rodrigues (Cuiabá), Qualytiteka (Cáceres), Verani Nabarrete (Alta Floresta), Renascer (Cuiabá).
A técnica da Unidade de Acesso a Mercado do Sebrae/MT, Daniele Monteiro, que ficou no estande de Mato Grosso durante a feira, disse que o mercado colombiano é ávido por artesanato. “Eles têm orgulho de tudo que é feito à mão, são apaixonados por artesanato e são consumidores exigentes, acostumados a pagar um preço alto pelos produtos”, disse, acrescentando que o público da feira é extremamente sofisticado e tem um poder aquisitivo alto. Segundo ela, as possibilidades para o nosso artesanato são muitas, embora a questão da logística seja uma barreira a ser resolvida. “Esse é o nosso grande desafio e vamos precisar fazer um estudo profundo sobre o assunto”, constata.

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