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Sujo, falando do mal lavado

Licio Antonio Malheiros



Eu estava lendo um artigo, intitulado “Nossa desigualdade tem cura”. Caso o mesmo, tivesse sido publicado por qualquer um de nós, simples mortais, isso seria perfeitamente compreensivo. Agora, partindo de alguém que acabou de deixar a Prefeitura Municipal de Cuiabá, para concorrer ao cargo de Governador do Estado. Deixando o município num estado deplorável, parecendo mais um lixão a céu aberto; com ruas esburacadas, a população, se sentindo  abandonada por falta de políticas públicas  exeqüíveis.

Existem situações, que nos deixam perplexos e estarrecidos, quando ditas por alguém que já ocupou  cargo de Vereador,  eleito em 1988 pelo PMDB, renunciou ao mandato,  sendo eleito pelo PDT em 1990, à Deputado Estadual,  reeleito em 1994, em 1998 elegeu-se Deputado Federal pelo PMDB, reeleito à Deputado Federal em 2002  pelo PSDB, licenciou para concorrer à Prefeitura de Cuiabá em 2004, se elegendo no segundo turno.

Candidato em 2008 à Prefeitura, se reelegendo novamente no segundo turno, não satisfeito renunciou  ao cargo em Março de 2010, para concorrer agora ao de  Governador do Estado de Mato Grosso pelo PSDB, alguém que já ocupou todos esses cargos, falar em desigualdades sociais,  apontar deficiências, tanto do Governo Federal, quanto do Estadual,  deve estar de brincadeira.

 Sem falar, no grande número de vezes que esse senhor deixou o cargo, sempre galgando um lugar de maior destaque, se esquecendo que por traz de si, existe um partido,  e um grande  número de pessoas que o ajudou a se eleger; com a palavra os  eleitores.

 Sabemos da credibilidade e eficiência do  IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, que presta um trabalho de relevância, tendo por finalidade realizar pesquisas e estudos sociais e econômicos, dando apoio técnico e institucional ao governo na avaliação, formulação e acompanhamento de políticas públicas   e programas de desenvolvimento.

Concordamos plenamente com os dados apresentados pelo ilustre historiador Wilson Santos, porém não entendemos, como alguém que detém um conhecimento exacerbado em desigualdades sociais, como ele. Vem a público, trazendo como referência o Índice Geni, que mede o grau de desigualdade existente na distribuição de indivíduos, segundo a renda domiciliar per capita.
 Ele colocou de forma correta, Mato Grosso registrou em 2008 índice 0,54, traçando, um paralelo comparativo entre o PIB (Produto Interno Bruto)   variado num período de 1995 a 2008, com o PIB per capita mato-grossense que cresceu 5,87%, enquanto a desigualdade caiu apenas um ponto percentual de 0,55 a 0,54.

Só que, o nosso nobre historiador, se esqueceu de mencionar que esse retrocesso na distribuição de renda  em nosso país infelizmente é linear, onde apenas 10% mais ricos da população brasileira se apropriam de cerca de 50% da renda total do país, enquanto os 50%  mais pobres detém apenas 10% da renda do país.

 Em nosso Estado a coisa não foi diferente, passamos por um longo e profundo estado de letargia em função de Governos passados, que representavam as famosas     oligarquias, que todos os cuiabanos e mato-grossenses  conhecem e sabe muito bem,  das quais  estou me referindo. Estas impuseram a nosso Estado um crescimento  vertical, tomando como referência suas famílias que obtiveram um  enriquecimento de dar inveja a qualquer  um.

 Felizmente, neste pleito teremos um nome novo, que poderá se tornar o contraponto, por representar um seguimento que gera empregos públicos e privados, e que ajuda de forma substancial na melhoria do (PIB) mato-grossense.

Pare o mundo, quero descer.

Professor Licio Antonio Malheiros Geógrafo e Pós-Graduado em Didática do Ensino Superior (liciomalheiros@yahoo.com.br)
 
 

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