Bom dia, seu pocotó
Adriana Vandoni
16/09/2008 16:48
Os analistas políticos afirmam há anos, ao final de cada eleição, que a popularidade do Presidente da República e do Governador é distinta das eleições municipais, ou seja, que a imagem do presidente ou do governador pode até ser importante para o candidato, mas não é fundamental e decisiva para a escolha da maioria dos eleitores.
Eis que o prefeito de Cuiabá, em mais um dos seus "estratégicos" momentos de oratória, diz que o presidente Lula desejava tê-lo como o seu candidato, claro, querendo pegar carona na popularidade do presidente. "O presidente Lula me convidou em três ocasiões para ser o candidato dele, a prefeito de Cuiabá, mas preferi ficar no PSDB porque acredito nos princípios de social-democracia. Três interlocutores vieram falar comigo, para que mudasse de partido, mas preferi continuar no meu partido", disse Wilson Santos. Ah, contou o milagre e não contou o santo! Quem foram esses três que pediram? Eu desconfio de um, que não é petista.
Não tardou para levar um desmentido dos petistas, um passa fora e o assunto virou o tema do último final de semana em todos os jornais do Estado.
Como dizia vovó, quem fala muito dá bom dia a cavalos. Tudo poderia ser diferente se o candidato à reeleição usasse fatos acontecidos e não fatos criados.
Veja, se a intenção era atingir o candidato ‘express’ do governador que tem como vice o PT, que falasse do pouco auxílio que a cidade de Cuiabá recebe deste governo estadual, do descaso e até pouco caso com que esta turma da botina sempre teve com Cuiabá. Vale lembrar que enquanto arrumava a fachada de casarões antigos, o governador chegou a afirmar, em roda de amigos, que ainda iria tirar o menino Jesus dos braços de São Benedito e enfiar no lugar uma cuia de chimarrão. Nada contra a cuia, que, aliás, cada um resolve onde enfiar, mas é um desrespeito à cultura, à religiosidade e a fé do povo cuiabano. O candidato à reeleição deveria relatar à população o esforço de Maggi para que empresas se instalassem apenas no município sede de seus interesses comerciais, gerando empregos e impostos lá, não na capital. Poderia também questionar o que afinal de contas, este candidato ‘delivery’ do governador já fez para atrair investimentos na cidade como representante do setor.
Se a intenção era atingir o candidato cantor, bastaria dizer que ele, além de despreparado para administrar, é o legítimo representante dos fichas-sujas, aliás, se somarmos todos os processos judiciais dos padrinhos do cantor poderíamos dizer que é infinito, enquanto dure. Neste caso é melhor ser desafinado que fazer dupla com delinquentes.
Mas o candidato à reeleição focou a popularidade presidencial. Faltou a ele ter seguido o que disseram aqueles analistas que citei antes, faltou ouvir auxiliares, se é que os ouve, ou se eles existem.
O prefeito de Cuiabá está com a estratégia errada, que já vem errada há algum tempo. Ele precisa discutir os assuntos municipais, é isso que interessa agora à população de Cuiabá e o que é pra supor que ele entenda.
Existem tantas verdades a serem ditas, que jamais valeria a pena usar mentiras.
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