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O poder da mídia

Benedito Rufino da Silva



O caso Isabela expõe claramente o quanto a mídia é poderosa. Seu poder de influenciar os expectadores está além do nosso imaginário; 98,2% da população se envolveram com o caso Isabela; O país, inteiro, até meu neto Heitor de 2 anos e meio, ficou intrigado e perguntou à avó dele: - “Vó o que aconteceu com a Isabela? Toda hora a TV fala na Isabela, Vó!
Vejam como a mídia se infiltrou nos lares brasileiros e mundiais, levando a radiografia dos acontecimentos ocorridos no Edifício London, localizado na Zona Norte de São Paulo. Parcela da família Nardoni foi “severamente” “metralhada”, vasculhada, investigada nos seus pormenores; A família Nardoni, através da ação de investigação policial, (40 policiais investigadores), pos a nu toda a genética de descendentes e até de ascendentes na tentativa da elucidação da origem de possíveis transtornos de conduta, ocorridos anteriormente; Transtornos esses que pudessem “justificar” ou corroborar com o ato da tragédia, possivelmente, anunciada!
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Voltemos ao ano de 1964! 1963! Greves de várias categorias se sucediam na capital de São Paulo, em busca de 100% do salário; As montadoras de veículos faturavam muito; Empresas multinacionais remetiam lucros para sua matriz em seu País, de origem, sem nenhum controle governamental; Ruralistas e Urbanistas clamavam por reformas, tais como: Reformas de base: Reforma Agrária, Reforma bancária e Administrativa, dentre outras; O PCB (Partido Comunista Brasileiro) fustigava, cobrava ação, imediata, (Proibição da remessa de lucros e nacionalização de empresas Multinacionais), do então Presidente da República, João Belchior Dias Goulart, através dos jornais periódicos Terra Livre e Voz Operária; Partidos da ala direita, como PSP (Partido social Progressista), UDN (União Democrática Nacional), principalmente, mobilizaram através do eloquente discurso de Carlos Lacerda, com o apoio dos jornais, O Estado de São Paulo e O Globo, planejaram a desmoralização e como conseqüência a deposição do Presidente; Nas Forças armadas existiam facções contrárias ao Governo João Goulart.
João Goulart, pressionado, limitou a remessa de lucros pelas Empresas multinacionais. Como João Goulart anunciou que faria as Reformas preconizadas pelos movimentos sociais, de interesse do povo Brasileiro, foi, sorrateiramente e severamente combatido. Em março de 1964 a Imprensa registra o discurso do Presidente João Goulart no Clube dos Oficiais no Rio de Janeiro; No dia seguinte toda a mídia, por uma boca só noticiava que o Presidente da Republica teria ofendido o Oficialato, Clube  seleto das forças Armadas, naquela época, em detrimento de apoio velado a Cabos e Sargentos das Forças Armadas; Era grande o sentimento de reforma por parcela de militares, através de Cabos e Sargentos, que se viam oprimidos, até então; Uma meia dúzia de Generais golpistas, (do Norte, do Nordeste, de Minas Gerais) dentre eles o General Mourão Filho, em 31 de março de 1964, assaltaram e tomaram, na calada da noite o Palácio do Governo João Goulart, que foi obrigado a renunciar ao Poder, democraticamente constituído;
No mês de abril, Blindados invadiam as principais capitais do País. Aviões sobrevoavam pontos de maior resistência como aconteceu em Goiás!
Anunciaram pela mídia que o governo havia renunciado e formaram uma Junta Militar para governar o País;
Nas semanas que se antecederam ao golpe, contrataram centenas de mulheres, inclusive mulheres mundanas para participar de uma grande passeata, batendo panela, gritando: - “Pão, família e liberdade.” As ruas centrais das principais Capitais do País são invadidas, sistematicamente, por homens e mulheres gritando pela renúncia de João Goulart! Padres e Pastores, da maioria das Igrejas, se engajaram na campanha anti-Jango e anticomunista. Era o capital estrangeiro a serviço do Golpe Militar que estava prestes a acontecer. Toda a mídia se colocou a serviço dos golpistas! Até o povo já começava a acreditar que o Governo Goulart não mais era o governo tão sonhado. A inflação atingia a 5% ao mês! Não havia motivo para desespero, no campo econômico, naquela época.
O estopim havia sido aceso e não demoraria a explodir o barril de pólvora! O mineiro Tancredo de Almeida Neves, Ministro do Governo Goulart, havia se demitido, abandonando o governo Goulart, ainda em outubro de 1963.
João Goulart não era um político de esquerda e nem pensava como tal! João Goulart era fazendeiro e dava continuidade ao estilo de governar do Ex-Presidente Getúlio Dornelles Vargas. João Goulart era um brasileiro, nacionalista, que amava sua Pátria. Não era comunista, embora o PCB estivesse na legalidade, novamente! Até Luis Carlos Prestes, perseguido pela Ditadura Vargas, dava palestra no Sindicato dos Metalúrgicos em São Paulo, sob a Presidência do Joaquinzão. Porém forças internacionais queriam destruir lideranças que nasceram sob a influência política do Governo Vargas. Os Norte-Americanos, principalmente, não viam Getúlio com bons olhos, pois o mesmo era simpatizante do governo de Hitler, da Alemanha.
O Presidente João Goulart não preparou seu governo contra a espionagem a serviço de órgãos Norte-americanos, contrários à “expansão do Comunismo” na América Latina, como o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática); João Goulart foi pego de surpresa! João Goulart contava ainda com apoio do 2º e 3º Exércitos, (São Paulo e Rio Grande do Sul). Mesmo assim, não reagiu, não concitou o povo fiel ao seu governo para uma possível resistência! João Goulart evitou um maior derramamento de sangue de brasileiros, que por certo aconteceria se ele decidisse pela resistência aos golpistas de plantão.
Disseram ao Presidente, para intimidá-lo mais ainda, sobre uma possível resistência: -“olha, se você resistir já se encontra ancorado no Litoral da Costa brasileira, um navio de guerra com 5000 fuzileiros navais Norte-Americanos preparados para invadir o País e dar sustentação ao Golpe de Estado pelas Forças contrárias ao seu governo.”
Se João Goulart resistisse, brasileiros seriam mortos, impiedosamente, com a complacência e apoio de parte das Forças Armadas Brasileira, que tramou o Golpe Militar; Veja como os iraquianos estão sendo mortos lá no Iraque, pelos Norte-Americanos e seus aliados.
 - Quem sabe, nem eu estaria contando esse fato ao meu leitor.
A mídia tem um poder fenomenal! Noticiava na época da Ditadura Militar que havia grupos fortemente armados para convalidar o Golpe de Estado, tentando convencer a amedrontada população.
Era pura balela! Mártires em defesa da legalidade e da Democracia como Capitão Lamarca, Carlos Marighela, Wladimir Herzog, do Jornal Última Hora, e um punhado de comunistas, (de verdade), insurgiram por conta própria e sucumbiram diante da violência do Serviço Secreto das Forças Armadas. Eles e outras centenas foram todos assassinados!
A bem da verdade não havia arma! Era preciso assaltar Delegacias, assaltar casa de armas ou quartéis da Polícia para tentar conseguir um pouco de armas para o confronto, ainda que provisório, como aconteceu.
Generais Presidentes construíram inúmeros Estádios de futebol para, através da mídia, desviar a atenção dos observadores da política nacional. O Futebol para as massas de trabalhadores e corrida de Fórmula Um, com Piquet e Airton Sena, para a Classe média e para os ricos. Era o ópio dos brasileiros no País inteiro.
Os Generais construíram muita coisa boa, como a Ponte Rio-Niterói, pois teriam que mostrar serviço para uma sociedade que nunca parou de reivindicar a volta da democracia, ancorada no único Partido político, legalizado, o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro). Com o enfraquecimento da Ditadura Militar, a mídia mostra ao Mundo o outro lado da história: Passeatas e Comícios - Pró-Diretas Já, com mais de um milhão de pessoas no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, principalmente!
A mídia mostra sua influência na cobertura da morte do Presidente não-empossado, Tancredo de Almeida Neves – vinte anos de sonho de brasileiros sedentos por Democracia. O Brasil chorou!
A mídia colaborou na deposição do Ex-Presidente João Goulart e na retomada da Democracia, na década de 1980...
A Mídia nacional também colaborou com a destruição do nome de grandes líderes do PMDB, em todo o País...

Benedito Rufino da Silva é Professor e Escritor
 

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