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A Carta do Chefe Seattle (Final)

Paiva Netto



Trago nesta edição o trecho final da famosa Carta do Chefe Seattle
(1787-1866): “Quem é dono do céu, do brilho das águas?”.
(Tradução do texto considerado autêntico da Carta do Chefe Seattle,
que, em 1855, respondeu à proposta dos Estados Unidos de comprar a terra
dos índios. O texto procede do UNEP - Programa das Nações Unidas para o
Meio Ambiente.)

“O ar é precioso para o homem vermelho, pois dele todos se alimentam.
Os animais, as árvores, o homem, todos respiram o mesmo ar. O homem
branco parece não se importar com o ar que respira. Como um cadáver em
decomposição, ele é insensível ao mau cheiro. Mas, se vos vendermos
nossa terra, deveis vos lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar
insufla seu espírito em todas as coisas que dele vivem. O ar que nossos
avós inspiraram ao primeiro vagido foi o mesmo que lhes recebeu o último
suspiro. (...)
“Se vendermos nossa terra a vós, deveis conservá-la à parte, como
sagrada, como um lugar onde mesmo um homem branco possa ir sorver a
brisa aromatizada pelas flores dos bosques.
“Assim consideraremos vossa proposta de comprar nossa terra. Se nos
decidirmos a aceitá-la, imporei uma condição: o homem branco terá de
tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.
“Sou um selvagem e não compreendo de outro modo. Tenho visto milhares
de búfalos a apodrecerem nas pradarias, deixados pelo homem branco que
neles atira de um trem em movimento. Sou um selvagem e não compreendo
como o fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante que o búfalo,
que nós caçamos apenas para nos manter vivos.
“Que será do homem sem os animais? Se todos os animais
desaparecessem, o homem morreria de solidão espiritual. Porque tudo que
aconteça aos animais pode afetar os homens. Tudo está relacionado.
“Deveis ensinar a vossos filhos que o chão onde pisam simboliza as
cinzas de nossos ancestrais. Para que eles respeitem a terra, ensinai a
eles que ela é rica pela vida dos seres de todas as espécies. Ensinai a
eles o que ensinamos aos nossos: que a terra é a nossa mãe. Quando o
homem cospe sobre a terra, está cuspindo sobre si mesmo.
“De uma coisa temos certeza: a terra não pertence ao homem branco; o
homem branco é que pertence à terra. Disso temos certeza. Todas as
coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Tudo está
associado.
“O que fere a terra fere também os filhos da terra. O homem não tece
a teia da vida; é antes um de seus fios. O que quer que faça a essa
teia, faz a si próprio.
“Mesmo o homem branco, a quem Deus acompanha, e com quem conversa
como amigo, não pode fugir a esse destino comum. Talvez, apesar de tudo,
sejamos todos irmãos. Nós o veremos. De uma coisa sabemos - e que talvez
o homem branco venha a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus.
Podeis pensar hoje que somente vós O possuís, como desejais possuir a
terra, mas não podeis. Ele é o Deus do homem e Sua compaixão é igual
tanto para o homem branco quanto para o homem vermelho. Esta terra é
querida Dele, e ofender a terra é insultar o seu Criador. Os brancos
também passarão; talvez mais cedo do que todas as outras tribos.
Contaminai a vossa cama, e vos sufocareis numa noite no meio de vossos
próprios excrementos.
“Mas no vosso parecer, brilhareis alto, iluminados pela força do Deus
que vos trouxe a esta terra e por algum favor especial vos outorgou
domínio sobre ela e sobre o homem vermelho. Este destino é um
mistério para nós, pois não compreendemos como será no dia em que o
último búfalo for dizimado, os cavalos selvagens domesticados, os
secretos recantos das florestas invadidos pelo odor do suor de muitos
homens e a visão das brilhantes colinas bloqueadas por fios falantes.
Onde está o matagal? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. O fim
do viver e o início do sobreviver.”

Respeitável exemplo
Quanta sa
bedoria e humanidade no pensamento de um homem considerado
selvagem!...
Que elas não falhem nos civilizados, quando enlouquecidos pela cegueira
de domínio, a qualquer preço, dos seus semelhantes.
A Mãe Terra talvez não suporte nossas travessuras de “macacos em loja
de louças”.

Gripe suína
Estejamos atentos ao alerta da OMS, que elevou, no último dia 29/4, o
nível de risco para uma pandemia global “iminente” da gripe
suína. A boa notícia é a anunciada pelo ministro da Saúde, José Gomes
Temporão: o Brasil dispõe de tecnologia para o tratamento da doença.

Brava gente brasileira!
Primeiro de Maio, Dia do Trabalho. Trago à meditação de todos trecho do
meu livro “Cidadania do Espírito”, em nova edição, na qual também
abordo esse tema: A Fé nos fortalece. O trabalho nos realiza. Em
condição alguma, podemos admitir preexcelências formais. Valor se
prova com ação e capacidade. Estudando Confúcio, a gente aprende que não
basta trabalhar muito, mas trabalhar certo. Pensamento bem apropriado
para o tempo corrido de hoje.


José de Paiva Netto - Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@uol.com.br - www.boavontade.com

 

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