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Apologia ao crime vira febre no Facebook

 

Dinheiro de assalto, muito funk, uísque, cerveja, festas e muita mulher, ou melhor, as ‘novinhas’, como costumam classificar as garotas de até 20 anos. Esses são os componentes da ‘vida loka’ que bandidos de Cuiabá postam nas suas páginas pessoais no Facebook e assim arregimentam mais jovens para o crime.
 
Afinal, quantos garotos, especialmente os da periferia oriundos de famílias desestruturadas, não querem se exibir com grana, motos potentes, carros de luxo, muito ouro no pescoço e nos dedos e o dinheiro fruto do roubo para gastar? Quantas meninas que não desejam ser bancadas pelos ‘patrões’ – como são rotulados os chefes de quadrilha e traficantes – e se tornarem as primeiras-damas do crime?
 
Vasculhando a página pessoal de alguns assaltantes na rede social, o Circuito Mato Grosso descobriu que ao invés de procurar se manter discretos para não chamar a atenção da polícia, eles gostam da ostentação e de mostrar o quão inconsequentes são. Postam fotos deitados sobre notas de R$100, escrevem o nome e o apelido com dinheiro e ainda convidam os interessados em ter o mesmo padrão de vida a participar da ‘correria’. “Vem com o chefe e tu vai ter o que merece” é uma das frases postadas. 
 
Os donos dos perfis suspeitos postam no ícone “Sobre” de seus perfis no Facebook que se formaram na Faculdade da Rua, Pela Vida, que trabalham na Profissão Perigo, Correria e Companhia, 157 (crime de assalto) e outras ‘empresas’ que remetem à vida criminosa. Nas poses dificilmente o internauta os vê sem estar com os dedos fazendo menção a uma arma.
 
Em uma das postagens, um dos possíveis assaltantes escreve “Ai só bandido nessa porra, 157 (roubo), 33 (tráfico de drogas) e 1533 sigla de ladrão”. Entre a bandidagem 1533 significa PCC (Primeiro Comando da Capital), conforme a ordem das letras no alfabeto, P=15, C=3. Muitos adeptos da facção tatuam o número no corpo. Não se sabe se os criminosos de Cuiabá são ou não membros da organização criminosa que tem o curioso lema de ‘Paz, Justiça e Liberdade’ ou se o fazem para mostrar poder ou ameaçar adversários.
 
Ainda mais irônico é que no perfil de muitos desses suspeitos de crime os mesmos colocam a foto de familiares, dos filhos e invocam a proteção de Deus, para cometer assaltos! “Ladrão de banco na humildade”, postou um deles.
 
O delegado titular de Roubos e Furtos de Cuiabá, Roberto Amorim, diz que mais do que a preocupação com os bandidos fazerem apologia ao crime pela rede social é se apresentarem como heróis, chamando a atenção dos adolescentes. “Eles se exibem com dinheiro, armamento, carros, festas e a juventude os idolatra. É um problema seriíssimo. O Congresso precisa se preocupar com isso e mudar as leis em relação aos crimes virtuais; a própria sociedade fica vulnerável”.
 
Hoje o criminoso não precisa aliciar jovens e crianças nas portas das escolas, as redes sociais têm se mostrado eficientes para convidar novos integrantes para o crime. “Além da apologia ao crime, considerada de menor potencial ofensivo e que não cabe prisão, há a corrupção de menores na rede, mas não há uma legislação específica sobre isso. Não avançamos no mesmo ritmo que a tecnologia”, comentou o delegado. 
 
O delegado responsável da Gerência Especializada em Crimes de Alta Tecnologia (Gecat) da Polícia Civil, Anderson Veiga, comentou que apenas a divulgação das fotos de criminosos no Facebook não é crime. “Crime existe se isso acontecer no presídio. A simples postagem não é um crime informático, a não ser que passe mensagens de incitação ao crime ou exibição de armas”.
 
 
Por Débora Siqueira - Da redação
Fotos: Reprodução
 


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