Férias no Brasil: baixa oferta de empregos em MT
- Detalhes
- Publicado em Quarta, 25 Janeiro 2012 18:00
Se para o Brasil todo no primeiro mês do ano as contratações temporárias podem chegar 24 mil trabalhadores empregados, para Mato Grosso este número não passa de 250. “O número tem a ver com o fato de que esta época é considerada de baixa temporada no Pantanal e mesmo sendo período de férias as pessoas viajam ainda mais para fora do Estado”, comenta o diretor da CDL Cuiabá Luis Carlos Nigro, também presidente do Sindicato Intermunicipal dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado de Mato Grosso (SHRBS/MT).
Neste janeiro, o Centro Oeste e a região Norte como um todo respondem respectivamente por 1.421 e 965 vagas, segundo estimativa da Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário (Asserttem). Nas regiões de Turismo mais consolidado, as contratações para somente um mês têm índices bem expressivos: 5.256, nordeste; 11.645 sudeste; 4.714, sul.
“Realmente o Turismo é um dos grandes geradores de emprego por meio de redes de serviços variados e movimento no Comércio. Seu desenvolvimento se configura como de suma importância socioeconômica, obviamente em vários segmentos: da construção civil (obras de novos hotéis e pousadas) a bares e restaurantes. No mundo todo é um dos grandes canais de geração de emprego e renda”, lembra o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL Cuiabá), Paulo Gasparoto.
De acordo com o levantamento, os setores de lazer e entretenimento devem contratar 75% do total de vagas. Indústria e comércio devem ser responsáveis por 25% do total. “O trabalho temporário tem se revelado uma ferramenta importante para as empresas e uma grande oportunidade para jovens em situação de primeiro emprego, cenário que vem se intensificando na temporada de verão”, explica Jismália de Oliveira Alves. As principais funções neste período são para atendimento, monitoramento, recreação, salva vidas, operadores de brinquedos, garçons, operador de turismo, serviços de quarto e de cozinha. Para conquistar uma vaga é preciso liderança, capacidade de trabalhar em grupo, responsabilidade e simpatia. A remuneração varia entre R$ 40 e R$ 150 por dia trabalhado. Candidatos entre 18 e 39 anos têm mais chance de contratação. Parques de diversão e temáticos, clubes, hotéis, pousadas, acampamentos, bares, restaurantes, agências de turismo e supermercados concentram a maior parte das vagas. Há oportunidades inclusive para estudantes em último dos cursos de psicologia, publicidade, educação física, pedagogia, turismo, hotelaria e administração. Fluência em inglês e espanhol é considerado um diferencial.
Mas se por um lado bem explorado se destaca em geração de emprego e renda e retém a população local ou atrai visitantes de fora, na falta de produtos o Turismo pode gerar prejuízo para os que atuam na área e contam com apenas parte dos meses do ano para buscar a rentabilidade do negócio. “Em Mato Grosso, atuar no turismo receptivo é ser herói. Chega esta época e boa parte do Pantanal está com a pousada fechada. Vai para a Chapada está tudo fechado”, reclama Oiran Gutierrez, presidente do Sindicato das Empresas de Turismo (Sindetur) e diretor da Federação Nacional de Turismo.
As conseqüências são além do que mostra a tabela da Assertem – baixa empregabilidade nesta época. “Como não temos movimento nestes meses, também não há expressiva geração de emprego e ainda temos prejuízos, pois como você tem uma estrutura hoteleira, por exemplo, mas que parte do ano não tem turistas. E a grande charada é o que deixamos de construir, de expandir, de movimentar, contas que não temos como saber o impacto”, lembra Gutierrez.
Para a certeza dos turistas de que estamos “fora da temporada”, Oiran coloca que o Pantanal na cheia tem as floradas mais bonitas, há a Chapada dos Guimarães e outros tantos lugares em 3 biomas mato-grossenses e a região de transição no Vale do Araguaia, mas falta divulgação oficial no restante do Brasil e exterior, infraestrutura de diversas ordens e todo um trabalho para transformar potencial em produtos.
“Temos Bom Jardim, no município de Nobres, por exemplo, que é nosso Bonito (MS). Mas faltam 18 km de asfalto até lá, o que nesta época de chuva dificulta a chegada até lá e ainda temos o desafio de hotelaria”, explica ele, acrescentando que as deficiências de maior proporção estão na alçada do poder público, visando atrair interesse de investidores e fazer-se conhecer Mato Grosso em outros estados e países. “Temos também São José do Rio Claro e toda uma Amazônia mato-grossense, como Alta Floresta, com belezas e atrativos muito bons. Mas, sem infraestrutura até de rodovias não dá. Ficamos atolados”.
Sobram vagas – Se em Mato Grosso o total de temporários pode somar apenas 250 em janeiro, para contratação normal, só em Cuiabá-MT e tendo como referência o banco de dados do Balcão de Emprego da CDL Cuiabá, precisa-se de 54 trabalhadores com urgência ainda nesta semana ainda (estoquista, limpeza, vendedor, pedreiro). E tem sido assim o ano inteiro – sobram vagas. “Inclusive as lojas efetivaram entre 50 a 60% dos temporários do Natal e ainda estamos ofertando mais emprego, porque o mercado está com falta de mão de obra”, enfatiza Paulo Gasparoto.
A psicóloga Pâmella Vieira, do Balcão de Emprego CDL, aponta que um dado interessante é que hoje 70% das ofertas no Comércio vêm com especificação de preferência por mulheres (para limpeza, vendas, administração, caixa, atendimento ao público em geral). Uma função que está crescendo como oportunidade de trabalho, por causa dos cursos de faculdade instalados na região e maior profissionalização dos setores das empresas, é a de estoquista (e todas as atividades relacionadas a depósito de produtos). “E o maior destaque na totalidade de candidatos que estão se apresentando para trabalhar no Comércio é que 70% está a procura de seu primeiro emprego. Mas as empresas não estão querendo este perfil”, esclarece ela, apontando que, no entanto, esta questão deveria ser repensada pelos empresários e suas equipes de RH.
“Temos muitos estudantes ou pessoas formadas em faculdade ou com cursos extras – de informática a atendimento e secretariado – mas que só não têm a experiência, a prática. E considero esta uma vantagem em determinados cargos, pois no lugar de empregar alguém com comportamento moldado para outra empresa, pode formar o candidato para o seu padrão, as suas exigências, os seus critérios”, avalia a psicóloga. “E o empresário tem que pensar também em investimento em qualificação. O mercado não oferece candidatos qualificados na exigência necessária da atualidade e desafios das empresas”.
Fonte: Assessoria | CDL

